Sever do Vouga

Sever do Vouga quer aproveitar antigas minas para o turismo

O presente feito de ruínas e o passado grandioso das minas que chegaram a empregar 1000 operários Maria João Gala / Global Imagens

Câmara pediu à empresa proprietária apoio. Para já quer limpar e vedar e depois organizar visitas seguras.

A Câmara de Sever do Vouga está empenhada em avançar com a dinamização turística das minas do Braçal e da Malhada, pertencentes à empresa Navigator, informou a Autarquia do distrito de Aveiro. As minas, que constituem a mais antiga concessão mineira portuguesa, estão abandonadas há vários anos e incluem um amontoado de ruínas cobertas pela vegetação.

Este mês, a Câmara reuniu-se com a direção da Navigator para perceber se havia condições para a empresa colaborar com o Município na dinamização turística daquele espaço, que tem uma fruição quase como se fosse pública, com várias pessoas a fazerem ali caminhadas. "O que queremos, no imediato, é salvaguardar as infraestruturas que lá estão", disse o presidente da câmara, Pedro Lobo.

Numa primeira fase, o objetivo da Autarquia passa por vedar o espaço das minas do Braçal e da Malhada e avançar com a limpeza daquela área. "Depois disso, poderemos fazer um levantamento de todos os edifícios e criar percursos que possam ser visitáveis em segurança e que contem um bocadinho daquela história à volta das minas do Braçal", referiu o presidente do Município severense.

Pedro Lobo lembrou ainda que a Autarquia está a desenvolver um projeto para converter a antiga linha das vagonetes das minas do Braçal num percurso pedonal/ciclável, adiantando que "seria de todo o interesse que houvesse naquele espaço algo para visitar".

Sem interesse na compra

O autarca referiu que a recetividade da empresa produtora de pasta e de papel "foi positiva", adiantando que "vai haver mais reuniões", esperando que possam chegar a acordo.

Pedro Lobo rejeita uma possível aquisição das minas por parte da Câmara, mas não afasta a possibilidade de haver uma cedência do espaço à Autarquia, "se conseguirmos ter a capacidade para dinamizar e para criar ali algo de diferente", afirmou.

O complexo mineiro do Braçal, que inclui as minas do Braçal, da Malhada e do Coval da Mó, estende-se ao longo do rio Mau (afluente do Vouga), numa das encostas da serra do Braçal. Constitui a mais antiga concessão mineira portuguesa.

A exploração começou em 1836, terminando em 1918. Em 1943 recomeçou, alargando-se às minas da Malhada (mais a norte) e trabalhou até 1972, chegando a ter cerca de 1000 operários. As minas do Braçal exploraram filões ricos em chumbo, zinco e prata, tendo sido o chumbo o principal produto extraído.

JN