Vila Nova de Gaia

Aço do Viaduto de Santo Ovídio estava para vir de Mariupol

Revisão dos preços encareceu a empreitada em 30% Pedro Correia/Global Imagens

Fábrica de Azovstal foi bombardeada e a encomenda transferiu-se para o Norte de Itália.

A pandemia e a guerra na Ucrânia afetaram os trabalhos. Nomeadamente na chegada dos materiais. Tiago Braga revela de onde viria inicialmente o aço: "Uma parte do aço do viaduto de Santo Ovídio tinha sido encomendada a uma fábrica que todos conhecemos pelas notícias na televisão, em Mariupol: a fábrica Azovstal. No porto, havia material que tinha como destino o metro do Porto. Perante essas dificuldades fomos todos arregaçando as mangas e encontrando outras soluções".

Neste caso, a opção foi recorrer a uma fonte diferente, de outro país. "A solução foi encontrada no Norte de Itália, numa fábrica que garantiu o mesmo produto com igual qualidade", assegura.

Mas a mudança da proveniência, em cima da hora e pelas circunstâncias sabidas, dilatou o orçamento. "Quando tínhamos uma encomenda na Ucrânia e de repente essa encomenda é destruída porque está a ser feito um bombardeamento à fábrica, temos logo de encontrar uma alternativa. A alternativa foi bastante mais cara. Isso tem um impacto. Os tais 30% [em números redondos, o orçamento que era de 100 milhões de euros passou para 130 milhões] têm a ver com isso, o processo inflacionário que toca a todos. A Metro do Porto não é uma ilha isolada, que consegue fugir a esses mecanismos", diz.

Inflação

Apesar da inflação nos gastos, garante que a parte financeira "não está em risco", nem é problema. "Conseguimos encontrar, juntamente com o Governo (ministérios do Ambiente e das Finanças), fontes de financiamento para assegurar esse sobrecusto", esclarece.

A ser cumprido o que está previsto, o viaduto que liga Santo Ovídio ao túnel da Estação Manuel Leão ficará pronto em abril. "Na altura da Páscoa, provavelmente as pessoas já poderão ver toda a estrutura ligada", é avançado. Tiago Braga classifica o viaduto como o "elemento mais emblemático da empreitada". A conclusão deste troço, que assenta em pilares e obrigou ao fecho do túnel rodoviário de Santo Ovídio, será feita com o recurso a uma grua.

Quatro hospitais servidos

A Linha Amarela servirá os hospitais Santos Silva e S. João. A Linha Rosa vai chegar ao Santo António e a Linha Azul já passa no Pedro Hispano.

Três mil toneladas

A estrutura metálica do viaduto de Santo Ovídio "tem um peso total de 3 mil toneladas, equivalente a 10 Airbus A380", revela Pedro Quintas.

Sem limite ao ruído

A Metro ficou dispensada de cumprir os limites do ruído nas obras. Foi publicado esta semana em "Diário da República". Porém, a empresa fez saber que o despacho "não dispensa a tomada das medidas possíveis para mitigar o ruído".

Oficinas

Próximo de Vila d"Este, com acessos próprios na linha, ficará localizado o Parque de Manutenção e Oficinas. Terá capacidade para 60 veículos e máquinas para lavar.

Expropriações

Na Rubi, a outra linha Gaia/Porto, a Metro vai reunir com os proprietários de umas casas junto a Santo Ovídio, pois "precisa de ocupar aquele espaço". Expropriações ou regresso às casas devidamente reconstruídas são as opções.

Miguel Amorim