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Biden proíbe uso de "software" de vigilância pelo Governo

Software-espião Pegasus, da empresa NSO, permite copiar conteúdo e vigiar telemóveis JOEL SAGET / AFP

O presidente dos EUA, Joe Biden, emitiu uma ordem executiva proibindo o uso de "spyware" privado malicioso pelas agências do Governo, anunciou a Casa Branca.

O decreto proíbe programas informáticos que representem "riscos significativos" de segurança para os Estados Unidos, ou "riscos significativos" de desvio por parte de um Governo estrangeiro com o objetivo de violar os direitos humanos, de acordo com um comunicado da Casa Branca.

"Spyware" são ferramentas sofisticadas de vigilância que permitem o acesso remoto a dispositivos eletrónicos, sobretudo "smartphones", sem o conhecimento dos seus utilizadores, nomeadamente a consulta da atividade e o conteúdo dos dispositivos eletrónicos e até mesmo alterar o seu funcionamento.

"A proliferação de 'spyware' privado representa um risco específico e crescente" para os Estados Unidos, em particular para "a segurança dos funcionários americanos e para as suas famílias", explica o comunicado da Casa Branca.

Até agora, o Governo dos Estados Unidos contabilizou 50 funcionários do Governo dos EUA, a trabalhar em 10 países, que foram, ou podem ter sido, alvo de "spyware" malicioso, disse um alto funcionário da Casa Branca.

"Um número crescente de governos estrangeiros em todo o mundo tem usado esta tecnologia para fins de repressão, intimidação e vigilância, contra adversários políticos, ativistas e jornalistas", avisa a Casa Branca.

Este decreto do presidente norte-americano insere-se no quadro da segunda "Cimeira pela Democracia", um evento virtual e presencial organizado por iniciativa dos Estados Unidos, que se inicia na terça-feira e que decorrerá ao longo de três dias.

O assunto do "spyware" privado malicioso tem ganho relevo após as revelações sobre o "software" Pegasus, exportado pela empresa israelita NSO, que, de acordo com uma investigação jornalística, em 2021, permitiu a vigilância de mais de 50 mil pessoas.

Essas alegações desencadearam processos judiciais em vários países, incluindo a criação de uma comissão especial de inquérito no Parlamento Europeu.

Nos Estados Unidos, o FBI reconheceu que tinha adquirido uma "licença limitada" para testar o Pegasus, embora esta agência tenha garantido que nunca usou a ferramenta informática em investigações judiciais.

JN/Agências