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Há uma nova plataforma para os refugiados encontrarem casa

Desde 2022, Portugal tem acolhido milhares de refugiados ucranianos EPA

Projeto do Serviço Jesuíta aos Refugiados pretende criar condições para uma vida digna em Portugal. Senhorios e famílias são chamados a participar no acolhimento.

A_REDE é a nova plataforma que pretende ajudar refugiados a encontrar habitação em Portugal. O projeto tem como principal missão criar as condições necessárias para os refugiados se instalarem da melhor forma, sendo uma espécie de "ponte" entre os que chegam ao país e qualquer família ou senhorio que queira fazer acolhimento e participar na inclusão dos refugiados na sociedade portuguesa.

A plataforma digital "visa reforçar a capacidade de mobilização da sociedade em prol da inclusão de refugiados no território nacional"., de forma a que estes possam recomeçar as suas vidas de uma forma digna.

Os interessados que pretendam fazer parte desta rede podem informar, mediante o preenchimento de um formulário online, sobre as características que desejam em relação aos imóveis e às condições de pagamento.

A iniciativa é do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS Portugal) e da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), com o intuito de celebrar contratos de arrendamento com duração mínima de 1 ano, entre as famílias refugiadas e senhorios nacionais, com o amparo do JRS.

"O acesso à habitação é um desafio que afeta todos, indiscriminadamente, em Portugal. No entanto, para as pessoas refugiadas, as dificuldades são acrescidas. Este projeto vem, precisamente, convidar os senhorios a colocarem-se na sua pele e o impacto que poderão ter na vida de quem foi forçado a deixar tudo para trás. Estamos a falar de pessoas que não têm amigos ou familiares em Portugal que as ajudem a superar as exigências do mercado de arrendamento privado", explica André Costa Jorge, diretor do JRS Portugal e coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados.

Portugal acolhe melhor

Esta é uma iniciativa pioneira em Portugal, atenta a uma clara diferença vivida no país referente ao número de refugiados acolhidos em Portugal, entre 2020 e 2023, conforme explica o Observatório de Migrações: "Portugal não se encontra entre os principais destinos de proteção internacional no mundo ou na Europa: dos 26,4 milhões de refugiados no mundo em 2020, apenas 2,7 milhões (12,9%) estavam em países da União Europeia (UE) e desses, Portugal somente acolheu cerca de 2,4 mil, ou seja, 0,1% do total dos refugiados da UE."

De acordo com a mesma fonte, é mencionado no relatório que "em 2021, cerca de 2.725 pessoas beneficiaram de proteção internacional em Portugal (1.596 com estatuto de refugiado e 1.129 com título de proteção subsidiária)". O observatório aponta ainda o número de pessoas que chegou e arranjou casa: "Em 2021, apenas 23% encontrou uma solução de alojamento no final do programa de acolhimento de 18 meses, ou seja, apenas uma minoria foi considerada autónoma neste aspeto."

No entanto, estes números estão a mudar. No ano de 2022, Portugal cresceu nos apoios aos refugiados e conseguiu reverter a situação. Foi a guerra com a Ucrânia que permitiu que o país seja agora considerado mais hospitaleiro.

Humanizar a relação com os refugiados é a principal missão da plataforma digital A_REDE, que conclui: "Os refugiados merecem uma vida digna quanto qualquer outro cidadão."

Isabella Teixeira