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Alemanha denuncia tentativa de intimidar eleitores moldavos no estrangeiro

#Putin não vai parar por nada", disse a ministra alemã, Annalena Baerbock Foto: Ralf Hircheberger / AFP

O Governo alemão denunciou, esta segunda-feira, uma tentativa de influenciar e intimidar os eleitores moldavos no estrangeiro durante as eleições presidenciais de domingo na antiga república soviética, que qualificou como "totalmente inaceitável".

"Houve uma tentativa maciça e coordenada (...) de privar os moldavos no estrangeiro do direito de voto, ameaçando-os com ataques bombistas", disse um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão citado pela AFP.

O porta-voz citou o caso das ameaças dirigidas a assembleias de voto em Hamburgo, Frankfurt, Kaiserslautern e Berlim, na Alemanha, "mas também em Bucareste e em Espanha".

A atual presidente, Maia Sandu, 52 anos, foi reeleita com 54,9% dos votos, contra 45% de Alexandr Stoianoglo, um antigo procurador de 57 anos apoiado pelos socialistas pró-russos, segundo resultados quase finais divulgados pela Comissão Eleitoral.

Sandu deve a reeleição na segunda volta, em grande parte, à forte mobilização da diáspora moldava, ao receber o voto de 270 mil dos 326 mil boletins emitidos no estrangeiro.

A campanha foi ensombrada por acusações de interferência russa, com a polícia moldava a investigar alegadas "tentativas de desestabilização" por parte de Moscovo, envolvendo desinformação, compra maciça de votos, ameaças de morte, ataques informáticos e "transporte organizado" de eleitores.

"[O presidente russo Vladimir] Putin não vai parar por nada", reagiu hoje a ministra dos Negócios Estrangeiros alemã, Annalena Baerbock.

A ministra denunciou "a compra de votos, a manipulação a montante e as ameaças de ataques bombistas às assembleias de voto moldavas, visando o coração da democracia europeia", segundo a AFP.

À semelhança da União Europeia (UE) e de outros dirigentes europeus, o chanceler alemão, Olaf Scholz, felicitou Maia Sandu pela reeleição e pelo "rumo europeu" escolhido pelo país.

A Moldova está extremamente dividida, com a diáspora e a capital Chisinau, de um lado, predominantemente a favor da integração na UE, e as zonas rurais e duas regiões, a província separatista da Transnístria e a autónoma Gagaúzia, do outro, orientadas para a Rússia.

Com mais de 2,4 milhões de habitantes, a Moldova é considerado um dos países mais pobres da Europa.

A Moldova é um dos nove Estados reconhecidos atualmente como candidatos à adesão à UE, juntamente com Albânia, Bósnia e Herzegovina, Geórgia, Montenegro, Macedónia do Norte, Sérvia, Turquia e Ucrânia.

JN/Agências