
Os Estados Unidos vão ter a maior delegação norte-americana de sempre no Fórum Económico Mundial
Foto: Fabrice Coffrini / AFP
A ironia escreve-se sozinha. Num período marcado por uma diplomacia muito pouco diplomática e relações internacionais mais tóxicas do que saudáveis, "o espírito do diálogo" é o tema da edição deste ano do Fórum Económico Mundial, que arranca na segunda-feira e termina na próxima sexta.
As montanhas suíças voltam a receber centenas de líderes políticos, económicos e empresariais de todo o Mundo, que, durante uma semana, transformarão a estância de esqui de Davos num dos principais centros de debate internacional, com um leque de temas globais, centrados em economia, geopolítica, ambiente e tecnologia, a dominar a mesa.
Segundo os organizadores do evento, está confirmada a participação de cerca de 130 países, incluindo a presença de pelo menos 64 chefes de Estado e de Governo, e de 850 líderes empresariais, num total de aproximadamente três mil participantes, contando com organizações internacionais, academia e sociedade civil. Segundo a informação oficial, seis líderes do G7 (grupo de sete países que reúne algumas das economias mais desenvolvidas do Mundo) deverão estar presentes, com destaque para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Também confirmados estão Volodymyr Zelensky (Ucrânia), Javier Milei (Argentina), Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e Christine Lagarde, do Banco Central Europeu.
Estados Unidos em peso
Num contexto marcado por desafios impostos pela política externa e comercial dos EUA à ordem económica e geopolítica global, o chefe da Casa Branca vai participar presencialmente no 56.° encontro do fórum, com a maior delegação norte-americana de sempre. Trump regressa a Davos pela primeira vez desde 2020, era então presidente de primeira viagem. No ano passado, poucos dias depois de ter assumido o segundo mandato presidencial, participou por videoconferência.
A China, a segunda maior economia mundial, também terá uma presença de peso, com uma delegação liderada pelo vice-primeiro-ministro, informou o presidente executivo do Fórum Económico Mundial, Borge Brend.

Davos é uma região conhecida pela prática de esqui (Foto: Gian Ehrenzeller/EPA)
Foco nos conflitos
As ameaças geopolíticas e económicas estão entre as principais preocupações dos líderes políticos e empresariais em 2026, com os riscos ambientais e climáticos a perderem força a curto prazo (leia o texto ao lado). A conclusão resulta do Relatório de Riscos Globais, elaborado anualmente pelo fórum, que analisa os riscos que podem impactar severamente a estabilidade global a curto e longo prazo (dois e dez anos, respetivamente). Entre os 1300 líderes empresariais, académicos e figuras da sociedade civil entrevistados, o "confronto geoeconómico" foi identificado como a ameaça mais premente.
Portugal diz "presente"
Portugal estará representado pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, confirmou ao JN fonte da assessoria de Imprensa. Estarão também líderes de várias empresas, como a Sonae, a Galp e a EDP. A empresa do setor energético fez saber que quer "contribuir para o debate global sobre caminhos acionáveis e orientados para soluções que reforcem a resiliência, a competitividade e um crescimento inclusivo".

