Justiça

Falsos inspetores da PJ começam a ser julgados em Guimarães

O julgamento decorre no Tribunal de Guimarães Foto: Paulo Jorge Magalhães / Arquivo

Seis indivíduos começam a ser julgados, esta segunda-feira, no Tribunal de Guimarães por se fazerem passar por inspetores da Polícia Judiciária para roubarem dinheiro e jóias. Entre eles está um analista de cibersegurança e um organizador de eventos. Um dos arguidos tinha saído da cadeia há 20 dias quando fez o primeiro assalto, em junho de 2024.

Com idades entre os 22 e os 55 anos, os suspeitos fizerem seis assaltos em cerca de três meses que renderam cerca de meio milhão de euros. O grupo foi desmantelado entre setembro e outubro do ano passado pela PJ de Braga.

O "modus operandi" era o mesmo para os vários assaltos. Batiam à porta da casa das vítimas, identificavam-se como inspetores da PJ, exibiam crachás e cartões de identificação forjados e mandados de busca falsificados. Convenciam as vítimas que estavam a ser investigadas por tráfico de diamantes, de droga, branqueamento de capitais e fuga ao fisco.

Já no interior da residência não deixavam que ninguém utilizasse o telefone e recolhiam-nos assim como o dinheiro e joias. Metiam os bens em sacos que lacravam para transmitir veracidade exibindo ainda, às vítimas um papel onde escreviam o que levavam dali.

De acordo com a acusação do Ministério Público o primeiro assalto aconteceu a 25 de junho do ano passado, em Barcelos. Foi o que mais rendeu aos larápios que conseguiram roubar cerca de 130 mil euros em dinheiro e joias.

Os indivíduos convenceram a vítima, um empresário têxtil de Fafe, que estava a ser investigado por tráfico de diamantes, armas e branqueamento de capitais.

Entretanto, os arguidos fizeram vítimas também em Paredes, Barcelos, Penafiel e Santa Maria da Feira.

De resto, segundo a acusação, o último assalto aconteceu a 10 de setembro, em Barcelos, altura em que o grupo roubou 50 mil euros em dinheiro, várias carteiras e relógios de marcas de luxo.

As vítimas eram escolhidas mediante as informações que os suspeitos tinham das mesmas e eram depois estudadas antes do assalto.

O Ministério Público pede penas agravadas para um dos arguidos que tinha saído da cadeia há 20 dias onde cumpriam pena de seis anos de prisão por tráfico de droga, e outro cumpriu prisão por furto qualificado. Este tinha saído em liberdade em maio de 2023.

Os suspeitos estão acusados de associação criminosa, burla qualificada, falsificação de documento, usurpação de funções e sequestro.

Alexandra Lopes