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Google Maps elimina fronteira que separava Marrocos do Saara Ocidental

O desaparecimento dos pontos que separavam Marrocos e o Saara Ocidental afeta apenas a versão marroquina do Google Maps Foto: Google Maps

A versão marroquina do Google Maps suprimiu os pontos que separavam o Saara Ocidental do país, observaram jornalistas da AFP, este sábado, um dia após a ONU validar o plano de autonomia marroquino para este território em disputa.

"Graças a Deus!", "A linha imaginária já não existe", reagiram vários internautas no X e no Facebook.

Segundo as primeiras observações da AFP, o desaparecimento dos pontos parece afetar apenas a versão marroquina do Google Maps. Noutros lugares, como nos Estados Unidos, Chipre, França ou Argélia, a linha divisória continua visível.

O gigante de Silicon Valley ainda não comentou a mudança, mas apenas a empresa pode alterar a representação dos seus mapas. A modificação ocorre horas após uma reviravolta diplomática, qualificada como "histórica" por Marrocos.

Na sexta-feira à noite, o Conselho de Segurança das Nações Unidas apoiou o plano marroquino de autonomia do Saara Ocidental, descrevendo-o como a solução "mais viável" para essa região em disputa.

O Saara Ocidental, colónia espanhola até 1975, está controlado na sua maior parte por Marrocos, mas é considerado como um território "não autónomo" pela ONU.

Há meio século, Rabat e os independentistas da Frente Polisário, apoiados pela Argélia, disputam a sua soberania.

Até à decisão de sexta-feira, o Conselho de Segurança havia instado Marrocos, a Frente Polisário, a Argélia e a Mauritânia a retomarem as negociações, interrompidas desde 2019, para alcançar uma "solução política viável, duradoura e mutuamente aceitável".

Mas, por iniciativa dos Estados Unidos, encarregados desse assunto no Conselho, foi aprovada na sexta-feira uma resolução em apoio ao plano apresentado por Rabat em 2007, em votação da qual a Argélia se recusou a participar. A iniciativa prevê a autonomia sob soberania marroquina para este vasto território desértico, rico em fosfatos e águas pesqueiras.

AFP