A Alemanha, França e o Reino Unido apresentaram, este domingo, uma contraproposta ao plano de paz na Ucrânia elaborado pelos Estados Unidos. O dia ficou marcado por discussões "produtivas" entre norte-americanos e ucranianos em Genebra.
A Alemanha, França e Reino Unido (conhecido como grupo E3), excluídos da elaboração do plano de Trump, reuniram-se na Suíça com os ucranianos. O E3 lançou uma contraproposta, segundo a agência Reuters, em que estabelece um contingente de 800 mil militares de Kiev em tempos de paz, em vez dos 600 mil do plano dos EUA.
Prevê ainda negociações de trocas territoriais na linha de contacto, em vez de pré-determinar áreas como russas (por exemplo, o restante do Donbass ainda sob controlo ucraniano). Sugere garantias de segurança similares ao artigo quinto da NATO e rejeita que os ativos russos congelados financiem o esforço de reconstrução liderado pelos EUA, que ficaria com 50% dos lucros do empreendimento.
O dia foi de várias reuniões entre as delegações da Ucrânia e dos EUA para debater o plano que prevê concessões territoriais e a diminuição pela metade do contingente militar ucraniano. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse que esta "foi provavelmente a reunião mais produtiva e significativa de todo o processo até agora".
A delegação de Kiev afirmou que o esboço mais recente "já reflete a maioria das principais prioridades da Ucrânia". Declaração similar a de Zelensky, que sublinhou que "as propostas americanas podem incluir diversos elementos baseados em perspetivas ucranianas e cruciais para os interesses nacionais".
Zelensky expressa "gratidão"
O chefe de Estado ucraniano salientou também, na rede social X, que "a Ucrânia está grata aos EUA, a cada americano e, pessoalmente, ao presidente Trump, pela assistência que - a começar pelos mísseis Javelin - tem salvo vidas ucranianas". "Agradecemos a todos na Europa, no G7 e no G20 que nos ajudam a defender vidas. É importante manter este apoio", publicou o líder de Kiev. "É por isso que trabalhamos com tanta atenção em cada ponto, em cada passo para a paz", frisou.
A declaração surgiu após o presidente dos EUA ter acusado o homólogo da Ucrânia de não expressar gratidão pelos esforços norte-americanos para acabar com o conflito. "A guerra entre a Rússia e a Ucrânia é violenta e terrível, e com uma liderança forte e adequada dos EUA e da Ucrânia, jamais teria acontecido", escreveu Trump na rede Truth Social. "A "liderança" da Ucrânia não demonstrou qualquer gratidão pelos nossos esforços, e a Europa continua a comprar petróleo à Rússia", completou.