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FBI investiga "ataque terrorista" perto da Casa Branca

O ataque ocorre num contexto de elevada tensão política em torno da presença militar em Washington Foto: Will Oliver/EPA

A polícia federal norte-americana (FBI) anunciou, esta quinta-feira, que está a investigar como um "ato de terrorismo" o ataque ocorrido na quarta-feira perto da Casa Branca, em Washington, no qual dois militares da Guarda Nacional foram baleados.

"Trata-se de uma investigação em curso por ato de terrorismo", afirmou o chefe do FBI, Kash Patel, numa conferência de imprensa.

As autoridades norte-americanas já identificaram o suspeito do ataque: um cidadão afegão de 29 anos que colaborou com as forças armadas norte-americanas e a Agência Central de Informações (CIA) no Afeganistão, que foi posteriormente transferido para os Estados Unidos.

O ataque ocorre num contexto de elevada tensão política em torno da presença militar na capital federal norte-americana.

As investigações prosseguem, não havendo até ao momento indícios de potenciais cúmplices.

O FBI e a presidente da câmara de Washington, Muriel Bowser, informaram que os militares foram hospitalizados em estado crítico, tendo sido submetidos a cirurgia, enquanto o suspeito, também ferido por disparos, permanece em custódia.

A Procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou que as acusações dependerão do prognóstico das vítimas e admitiu a possibilidade de ser pedida a pena de morte, descrevendo o agressor como um "monstro".

O suspeito, identificado como Rahmanullah Lakanwal, entrou nos Estados Unidos em 2021 ao abrigo da Operação Allies Welcome, programa de retirada de afegãos que colaboraram com as forças internacionais após a saída das tropas norte-americanas do Afeganistão, e residia no estado de Washington com a família.

Antes da entrada no país, Lakanwal colaborou com o Governo norte-americano, incluindo a CIA, como membro de uma força parceira em Kandahar, segundo confirmou o diretor da agência federal, John Ratcliffe.

As autoridades norte-americanas referiram que o suspeito surgiu de uma esquina e surpreendeu os militares da Guarda Nacional que integravam uma equipa de patrulha. Abriu fogo de imediato contra os militares, tendo sido posteriormente imobilizado por outros membros da Guarda Nacional que acorreram ao local.

O ataque ocorreu a cerca de dois quarteirões da Casa Branca (sede da presidência norte-americana), junto a uma estação de metro, levando ao isolamento da área e à intervenção de várias forças de segurança, incluindo os Serviços Secretos.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, classificou o tiroteio como "um crime contra toda a nação" e apelou à reabertura dos processos de todos os refugiados afegãos admitidos durante a administração anterior, liderada pelo democrata Joe Biden.

Na sequência do ataque, o Governo ordenou o envio de mais 500 membros da Guarda Nacional para Washington, elevando para cerca de 2.200 o número de militares destacados na cidade.

O destacamento ocorre no âmbito de uma ordem de emergência emitida em agosto, entretanto contestada judicialmente, mas ainda em vigor por força de uma suspensão temporária determinada por um tribunal federal.

JN/Agências