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"Só quando a fragilidade alheia nos fere é que a paz começa". Leão XIV lembra dor em Gaza na missa de Natal

A missa de Natal voltou hoje a celebrar-se na basílica de São Pedro, no Vaticano, depois de mais de 30 anos Foto: Fabio Fustaci/EPA

O Papa Leão XIV lembrou esta quinta-feira, durante a homilia da missa do dia de Natal, o sofrimento de quem vive em Gaza e dos deslocados e refugiados dos vários continentes.

"Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros", disse o Papa Leão XIV, na missa de Natal, que voltou hoje a celebrar-se na basílica de São Pedro, no Vaticano, depois de mais de 30 anos - a última celebração foi em 1994.

Durante a homilia, o Papa deixou algumas perguntas sobre os mais vulneráveis: "Como não pensar nas tendas em Gaza, expostas durante semanas à chuva, ao vento e ao frio, e nas de tantos outros deslocados internos e refugiados em todos os continentes, ou nos abrigos improvisados de milhares de pessoas sem-teto nas nossas cidades?".

"Só quando a fragilidade alheia nos fere o coração, quando a dor alheia destrói as nossas certezas inabaláveis, é que a paz começa", acrescentou.

Sobre a missão da Igreja, sobretudo nesta época, o Papa Leão XIV considerou que esta não está ao "serviço de uma palavra opressora, pois estas já estão em toda a parte", mas sim "de uma presença que desperta o bem, que conhece a sua eficácia, que não reivindica o monopólio", acrescentando que só haverá paz quando os "monólogos forem interrompidos".

Coragem para diálogo direto

Durante a bênção "Urbi et Orbi" de Natal, Leão XIV pediu que a Ucrânia e a Rússia encontrem "a coragem para se envolverem num diálogo sincero, direto e respeitoso".

"Rezamos especialmente pelo povo ucraniano que sofre: que o som das armas cesse e que as partes envolvidas, apoiadas pelo empenho da comunidade internacional, encontrem a coragem para se envolverem num diálogo sincero, direto e respeitoso", declarou o Papa.

Moscovo e Kiev negoceiam separadamente há várias semanas o plano de paz apresentado pelos Estados Unidos, para terminar com quase quatro anos de guerra, que prevê o congelamento das linhas da frente, mas sem resolver a questão de uma eventual cedência de território a Moscovo.

JN/Agências