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Israel reconhece a independência da Somalilândia

Bandeira da Somalilândia Foto: Luis Tato/AFP

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou, esta sexta-feira, o reconhecimento oficial do "Estado independente e soberano" da Somalilândia, sendo o primeiro país a reconhecer a autoproclamada independência deste Estado separatista da Somália.

"O primeiro-ministro Netanyahu, o seu chefe da diplomacia Gideon Saar e o presidente da República da Somalilândia assinaram uma declaração conjunta e mútua", informa um comunicado dos serviços do chefe do Governo israelita.

Netanyahu comunicou esta decisão numa conversa telefónica com o presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdulahi, também conhecido como 'Irro', enquanto assinava o documento de reconhecimento formal. "O Estado de Israel", acrescentou o gabinete do primeiro-ministro israelita, "planeia alargar imediatamente as suas relações com a República da Somalilândia com uma ampla cooperação nos campos da agricultura, saúde, tecnologia e economia".

O presidente da Somalilândia também já saudou o que considera ser um "momento histórico". "Este passo marca o início de uma parceria estratégica que promove interesses mútuos, reforça a paz e a segurança regionais e traz benefícios partilhados a todas as partes interessadas, sem prejuízo para nenhuma delas", afirmou na rede X.

Autonomia desde 1991

Com um território de 175 mil quilómetros quadrados, situada no extremo noroeste da Somália, a Somalilândia declarou unilateralmente a independência em 1991. Desde então, funciona de forma autónoma, com a sua própria moeda, exército e polícia, e distingue-se pela sua relativa estabilidade em comparação com a Somália, minada pela insurreição islâmica e pelos conflitos políticos crónicos.

Embora mantenha contactos diplomáticos com diversos países, nenhum Estado membro das Nações Unidas reconhecia a sua existência como país independente.

Netanyahu especificou que o reconhecimento segue "o espírito dos Acordos de Abraão", que procuram normalizar as relações com países árabes e que resultam duma iniciativa do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizada em 2020.

JN/Agências