
O presidente norte-americano classificou como "pouca coisa" a disponibilidade Somalilândia de entregar aos norte-americanos um porto militar nas suas costas
Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantiu numa declaração hesitante que não se juntará ao reconhecimento da independência do estado separatista somali da Somalilândia, formalizado esta sexta-feira por Israel, mas vai "estudar" a ideia.
Quando questionado sobre o assunto pelo jornal "New York Post", o inquilino da Casa Branca afirmou: "Digam simplesmente: 'Não, vírgula, não neste...'", para rapidamente matizar as palavras e indicar: "Digam simplesmente: 'Não'".
O presidente norte-americano classificou como "pouca coisa" a disponibilidade Somalilândia de entregar aos norte-americanos um porto militar nas suas costas.
Em seguida, referiu-se ao assunto sobre a região separatista perguntando se "alguém sabe realmente o que é a Somalilândia".
Não obstante, Trump não fechou totalmente a porta ao reconhecimento do território noutro momento e comprometeu-se a estudar a questão. "Vamos estudá-la. Estudo muito e tomo sempre boas decisões, que se revelam acertadas", afirmou.
Israel tornou-se esta sexta-feira o primeiro Estado-membro das Nações Unidas a reconhecer formalmente a independência do estado separatista somali da Somalilândia, seguindo, de acordo com o argumento avançado pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, "o espírito dos Acordos de Abraão" de normalização das relações com os países árabes, e que resulta de uma iniciativa do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizada em 2020 por iniciativa do Presidente Donald Trump.
Netanyahu comunicou a decisão numa conversa telefónica com o Presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdulahi, também conhecido como 'Irro', enquanto assinava o documento de reconhecimento formal.
"O Estado de Israel", segundo o gabinete do primeiro-ministro israelita, "planeia alargar imediatamente as relações com a República da Somalilândia, através de uma ampla cooperação nos domínios da agricultura, saúde, tecnologia e economia".
O presidente da Somalilândia também já saudou o que considera ser um "momento histórico". "Este passo marca o início de uma parceria estratégica, que promove interesses mútuos, reforça a paz e a segurança regionais e traz benefícios partilhados a todas as partes interessadas, sem prejuízo para nenhuma delas", afirmou Abdulahi na rede social X.
Com um território de 175.000 quilómetros quadrados, situada no extremo noroeste da Somália, a Somalilândia declarou unilateralmente a independência em 1991. Desde então, funciona de forma autónoma, com a moeda própria, exército e polícia, e distingue-se pela relativa estabilidade em comparação com a Somália, minada pela insurreição islâmica e por conflitos políticos crónicos.
Embora mantenha contactos diplomáticos com diversos países, nenhum Estado membro das Nações Unidas conferia até agora à Somalilândia o estututo de Estado independente.
