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Chuvas torrenciais arrasam campos de deslocados na Faixa de Gaza

Foto: Haitham Imad/EPA

Chuvas torrenciais e ventos fortes destruíram esta sexta-feira uma parte dos campos improvisados da Faixa de Gaza, onde se abrigam centenas de milhares de habitantes deslocados pela guerra entre Israel e o movimento islamita palestiniano Hamas.

A câmara municipal de Gaza afirmou estar a trabalhar "24 sobre 24 horas" para lidar com os danos causados pela chuva, em particular para bombear a água acumulada nas "zonas baixas", embora reconhecendo a falta de recursos e equipamentos.

"Os ventos violentos arrancaram a nossa tenda esta manhã. Estivemos horas à chuva e tudo o que tínhamos ficou encharcado", relatou Umm Mohammed Uda, uma mãe de 45 anos do norte de Gaza que está agora deslocada em Al-Mawasi, do outro lado do território.

"Não temos tendas extra nem forma de nos protegermos deste tempo", acrescentou, enquanto outras pessoas à sua volta lamentavam danos semelhantes.

Mais de três quartos dos edifícios do território palestiniano foram destruídos pela guerra, segundo a ONU, que estima ainda que a quase totalidade da população tenha sido deslocada pelo menos uma vez pelos combates e bombardeamentos ocorridos desde 7 de outubro de 2023.

Centenas de milhares de pessoas ainda vivem em abrigos improvisados e precários, e a situação agravou-se com a passagem da tempestade tropical Byron, no início de dezembro.

"A situação humanitária agrava-se a cada tempestade", comentou Mahmud Zaqut, um homem de trinta e poucos anos de Khan Yunis, deslocado para o campo de Al-Zawaida, no centro da Faixa de Gaza.

"Vivemos em tendas que não conseguem resistir às intempéries", continuou, acrescentando: "Hoje, várias tendas foram destruídas e as pessoas procuraram abrigo onde puderam".

Nos arredores da Cidade de Gaza, viam-se famílias a tentarem à pressa salvar lonas e pedaços de tendas depois de as chuvas terem devastado parte do campo de Al-Shati, onde os habitantes estão espalhados entre edifícios em ruínas, alguns ameaçando desabar, e acampamentos improvisados.

JN/Agências