
Região de Mawasi, na cidade de Khan Younis, no Sul de Gaza.
Foto: Bashar Taleb / AFP
O Governo do Hamas acusou esta segunda-feira Israel do assassinato de um chefe da Polícia de Khan Younis, no Sul da Faixa de Gaza, numa zona livre de tropas nos termos do acordo de cessar-fogo.
O Ministério do Interior de Gaza disse num comunicado que o tenente-coronel Mahmoud Ahmed Al Astal, 40 anos, "foi assassinado após ser atingido por disparos" na zona de Mawasi. "Segundo as primeiras investigações, o tiroteio ocorreu a partir de um veículo ocupado por vários agentes israelitas", afirmou o Ministério, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
A zona costeira de Mawasi, a sudoeste de Khan Younis, serviu como refúgio para milhares de residentes em Gaza durante a ofensiva israelita por ter sido classificada como "zona humanitária". Desde que o cessar-fogo no enclave entrou em vigor em 10 de outubro de 2025, as tropas israelitas permanecem atrás da "linha amarela", uma demarcação imaginária até à qual o acordo estipulava que se deveriam retirar. A zona entre a "linha amarela" e a fronteira entre Gaza e Israel continua sob controlo militar israelita.
Mawasi encontra-se fora do perímetro controlado pelas tropas israelitas, pelo que a acusação do governo de Gaza implica que o veículo tivesse penetrado na área em violação do acordo de cessar-fogo. Desconhece-se se os alegados agentes israelitas eram soldados das Forças de Defesa de Israel ou palestinianos vinculados a milícias armadas por Israel que operam na "linha amarela".
Questionado pela agência EFE, o Exército de Israel disse não estar ao corrente do sucedido.
O cessar-fogo suspendeu a ofensiva que o exército israelita tinha em curso na Faixa de Gaza desde outubro de 2023, em resposta aos ataques de milícias extremistas palestinianas lideradas pelo Hamas no Sul de Israel. Os ataques do Hamas causaram cerca de 1.200 mortos e 251 reféns, cuja devolução estava prevista no acordo de cessar-fogo, e a retaliação israelita provocou mais de 71.400 mortos, bem como a destruição da Faixa de Gaza.
O acordo de trégua faz parte de um plano norte-americano que prevê também o desarmamento do Hamas e o Governo do enclave palestiniano por uma autoridade transitória.
