O acidente entre dois comboios de alta velocidade em Adamuz, Córdova, fez pelo menos 45 mortos e chocou toda a Espanha. Algumas das vítimas já foram identificadas numa lista compilada pelo jornal espanhol "El País".
Maquinista e funcionário de bar
Pablo Barrio Seco (27 anos)
Com 27 anos, Pablo Barrio Seco estava ao comando do comboio Alvia que colidiu com os vagões descarrilados da viatura Iryo. O maquinista, com mais de cinco anos de experiência, não teve tempo de evitar a violenta colisão. Estudou no ensino secundário em Alcorcón, a sul de Madrid, e formou-se em Engenharia Informática na Universidade Carlos III de Madrid. Depois, fez um curso de formação como maquinista no CETREN, o primeiro centro privado aprovado pela Agência Estatal de Segurança Ferroviária do Ministério dos Transportes. Era apaixonado por fotografia e música.
Agustín Fadón (39 anos)
O funcionário do comboio Alvia Agustín Fadón esteve desaparecido durante vários dias, mas a confirmação da sua morte chegou na quarta-feira. Estudou para ser assistente de bordo e conseguiu um emprego na Serveo, a empresa de catering da Renfe. Minutos antes do descarrilamento, Agustín saiu do café do comboio para ir à casa de banho. Era fã de motas.
Em 2013, Agustín já tinha escapado à morte: deveria estar nos comboios que descarrilaram na curva de Angrois, a caminho de Santiago de Compostela, mas nesse dia trocou de turno com outro colega, que morreu no acidente.
Jornalista e fotógrafa
Óscar Toro (56 anos) e María Clauss (53 anos)
Nascido em Huelva em 1969, Óscar Toro era licenciado em Ciências da Informação, com especialização em Jornalismo, pela Universidade Complutense de Madrid, e doutorado em Comunicação pela Universidade de Huelva. Trabalhou em vários meios de comunicação na Andaluzia e dedicou-se ao desenvolvimento de projetos de comunicação relacionados com a defesa dos direitos humanos e a promoção da convivência. Em 2011, recebeu o Prémio Andaluz de Voluntariado na categoria de profissionais da comunicação.
A companheira de Toro, a fotojornalista María Clauss, que também morreu na colisão, iniciou a carreira em importantes órgãos de comunicação locais e, mais tarde, dedicou-se à fotografia profissional, onde ligava as suas preocupações sociais ao seu trabalho. A artista tinha acabado de entregar ao Centro Andaluz de Fotografia (CAF) a Missão Andaluzia, um projeto sobre a paisagem andaluza no qual explorou a sua paixão pelo ambiente.
Agentes prisionais
Ricardo Chamorro (57 anos)
Ricardo Chamorro, de 57 anos, era agente prisional no Centro Penitenciário de Huelva, onde desempenhava as funções de subdiretor e administrador. Preparava também os alunos para os concursos do serviço penitenciário e, nessa função, acompanhava os seus alunos a Madrid. Deixa a companheira Arianna Añaños e um filho.
Andrés Gallardo Vaz (51 anos)
Andrés Gallardo Vaz, de 51 anos, era professor em Lepe e especialista na preparação de candidatos a guardas prisionais. Trabalhava numa academia e na Associação de Agentes Prisionais (ACAIP), e acompanhava os alunos, juntamente com Ricardo Chamorro, aos exames de seleção realizados na manhã de domingo em Madrid.
Eduardo Domínguez (55 anos)
Com 55 anos, Eduardo Domínguez, natural de Gibraléon, estudava para o concurso público para agente prisional. Pertencia à Irmandade de Cristo do Sangue.
Famílias destruídas
Pepi Sosa (53 anos) e Ana Martín Sosa (28 anos)
Ana Martín, de 28 anos, regressava a Isla Cristina, em Huelva, com a mãe, Pepi Sosa, de 53, que a acompanhava para fazer o exame de admissão ao cargo de agente prisional. Pertencem a uma família profundamente ligada ao Carnaval e muito conhecida na cidade. Deixam o marido e pai, Carlos Martín.
Antónia Garrido Chávez
Antónia Garrido Chávez morava no bairro de Verdeluz, em Huelva, e trabalhava como cuidadora domiciliária. Era mãe de três filhos e tinha viajado para Madrid para acompanhar uma das filhas no exame para agente prisional. A filha sobreviveu ao acidente. Antonia participava há cinco anos num grupo de trilhos, um grupo com cerca de 50 pessoas que procuravam escapar da rotina e fazer novas amizades.
Família Zamorano
Uma família quase inteira morreu no acidente, tendo sobrevivido apenas Cristina, uma menina de seis anos. O pai, José Zamorano dirigia uma empresa de máquinas na sua cidade natal, Aljaraque, e participava ativamente no food truck (camião que vende comida), fundada pela mulher, que servia hambúrgueres nas festas locais. Com 39 anos, Cristina Álvarez também conciliava a gestão de uma loja de roupa infantil em Punta Umbría, onde nasceu, com a ajuda ao pai na sua empresa de consultoria. Porém, a sua verdadeira vocação era o cando, tendo vencido, em 2017, o Concurso de Talentos Flamencos de Huelva na categoria Fandango e, em 2021, o Concurso Nacional de Fandango Paco Toronjo. Participou ainda no concurso "Yo soy del sur" ("Eu sou do Sul)", do "Canal Sur Sevillanas".
No acidente, morreu também Pepe Zamorano, de 12 anos, que jogava futebol desde os quatro no Aljaraque S. D. e que regressava a casa após um jogo do Real Madrid, o seu presente do Dia de Reis. O primo Félix também morreu na colisão. Trabalhava com José na empresa de máquinas e era um grande fã de desporto. Jogou no clube de futebol onde o primo jogava, treinando várias equipas, até decidir experimentar o basquetebol. Também participava no Clube de Boxe de Okinawa.
Rocío Díaz
Residente em Punta Umbría, Rocío Díaz morreu no comboio Alvia. Trabalhava na Câmara Municipal de Punta Umbría e tinha uma banca de peixe no mercado local, um negócio familiar no qual seguiu as pisadas do pai. Mãe de dois filhos, viajava com um deles e um amigo. Ambos foram resgatados com vida.
María Eugenia Gallego Navasco
Conhecida por Geni em Alpedrete, María Eugenia Gallego Navasco morreu no comboio Alvia. Eugenia era muito conhecida na cidade por ter gerido o supermercado MaxCoop. O marido, Pablo, é dono do bar Roma.
Samuel Ramos Sánchez (35 anos)
Com 35 anos, Samuel Ramos Sánchez tinha sido empossado como polícia em 2021, na 35.ª classe. Estava colocado no CIE (Centro de Detenção de Estrangeiros) em Aluche, Madrid. O seu sonho era regressar à cidade natal, Córdova, para trabalhar, de onde regressava após visitar a família. Tinha sido pai pela primeira vez um ano e meio antes.
Ligado à religião
José María Martín (37 anos)
Residente em Gibraleón, em Huelva, José María Martín, de 37 anos, tinha ido a Madrid com a namorada para passar o fim de semana. Era um dos carregadores do andor da Irmandade Servita do Santo Sepulcro e tinha uma grande ligação à Semana Santa na cidade de Huelva, onde também carregava andores. Era apaixonado por motas.
Celebravam o aniversário
Mario Jara Morillo (42 anos)
Mario Jara Morillo, nascido em Córdova e residente em Huelva desde os três anos, morreu no mesmo dia em que celebrava o seu 42.º aniversário. A mãe, Charo, esperava-o em casa com um bolo, após de ter realizado o concurso para agente prisional.
María del Carmen Abril (50 anos)
Natural de Córdova, María del Carmen Abril estava a celebrar o seu 50.º aniversário. Viajava no comboio Iryo de volta para Madrid, onde vivia. Trabalhou no Instituto de Altos Estudos Sociais, onde desempenhou diversos cargos como técnica de investigação. Atualmente, era professora no Instituto Los Castillos, no município de Alcorcón.
Cuidadores, enfermeiros e médicos
Víctor Luis Terán Mita (52 anos)
O consulado boliviano em Córdova confirmou a morte de Víctor Terán Mita, de 52 anos, que viajava no comboio Alvia de Madrid para Huelva, onde trabalhava a cuidar de idosos. Vivia em Huelva com a companheira, Osiris Sevilla Madariaga, uma nicaraguense de 40 anos.
David Cordón (50 anos)
Aos 50 anos, David Cordón trabalhava como enfermeiro no Hospital Juan Ramón Jiménez, em Huelva. Era apaixonado por futebol de praia, tendo sido membro da seleção espanhola desta modalidade, com a qual conquistou dois vice-campeonatos do Mundo (2003 e 2004) e dois Campeonatos da Europa (2001 e 2004). Deixa o filho de 18 anos, que seguiu os seus passos e joga hoje no Getafe.
Jesús Saldaña (30 anos)
Cardiologista de 30 anos de Málaga, Jesús Saldaña também morreu na colisão. Quando souberam do acidente, os familiares do médico, que estudou Medicina na Universidade de Málaga, estava a concluir o seu último ano de residência no Hospital La Paz, em Madrid, ligaram repetidamente para o seu telemóvel, chamadas que foram atendidas por outra passageira. Viajava de regresso à capital no comboio Iryo. Depois de vários dias de busca, a família recebeu a notícia da morte de Jesús. Deixa a namorada Elena.
Jovem professora
Miriam Alberico Larios (27 anos)
Com 27 anos, Miriam Alberico Larios morreu no acidente de comboio onde viajava sozinha, regressando a casa depois de passar o fim de semana com o namorado em Madrid. Era professora de inglês.