O embaixador dos Estados Unidos junto da União Europeia instou o bloco europeu a reduzir a regulação sobre Inteligência Artificial, avisando que as atuais regras impedem o desenvolvimento de empresas americanas no continente e prejudicam a competição com Pequim.
Numa audição na Comissão de Negócios Estrangeiros do Parlamento Europeu, Andrew Puzder, nomeado embaixador junto da União Europeia (UE) pelo presidente Donald Trump em agosto, disse que Washington tem "muita vontade de cooperar com a Europa" na Inteligência Artificial, e espera que o continente se torne um "dos maiores atores" no setor, mas deixou avisos.
"Tenho reuniões na minha embaixada com muitas empresas tecnológicas que chegam e dizem: 'Andy, gostaríamos muito de crescer na Europa, este é um mercado incrível, adoramos as pessoas, mas, sempre que viramos as costas, parece que surge outra regulação, ou que a meta mudou, ou levamos com uma multa de 100 milhões de dólares"", disse.
O diplomata defendeu que isso é algo que "precisa de ser abordado" pela UE, ressalvando que não está a defender que se elimine as legislações sobre os serviços digitais europeus (DSA) ou mercados digitais europeus (DMA), mas que se "encontrem formas de as rever, de modo a garantir que as empresas tecnológicas cresçam mais rapidamente e consigam competir à escala global".
"Atmosfera mais amigável"
Andrew Puzder citou o diretor executivo da empresa de semicondutores ASML, Christophe Fouquet, que, numa entrevista dada ao site "Politico", disse que "não se pode tornar as coisas muito complicadas, depois simplificar um bocadinho e ficar orgulhoso", referindo-se à regulação europeia sobre a Inteligência Artificial. "Não são as minhas palavras, são as palavras dele, mas acho que ele tem razão", frisou o embaixador.
O representante diplomático salientou que a desregulação das leis sobre a Inteligência Artificial traria "benefícios de curto prazo" para a Europa, salientando que o atual crescimento económico nos Estados Unidos, de 4,4% no terceiro trimestre de 2025, se deve em grande parte ao investimento que está a ser feito na tecnologia.
"Isso também pode acontecer aqui na Europa se tivermos uma atmosfera mais amigável. Não estou a dizer o que a Europa deve ou não deve fazer, mas acho que também seria benéfico para os Estados Unidos, porque, com uma economia mais forte, a Europa tornar-se-ia um parceiro comercial melhor", referiu.
Depois de ouvir queixas de alguns eurodeputados, que defenderam que não cabe ao embaixador dos Estados Unidos sugerir mudanças na legislação europeia, frisando que esse é o papel do Parlamento Europeu, Andrew Puzder respondeu que há "uma corrida" sobre Inteligência Artificial que está a ser feita entre dois atores: Estados Unidos e China. "Ouvi dizer que estamos seis meses à frente da China, mas é uma corrida e não sei se a regulação da UE sobre Inteligência Artificial não vai afetar essa corrida (...). Acho que, na medida em que há regulamentação, isso é algo em que os Estados Unidos, o Reino Unido e a UE deveriam trabalhar em conjunto", disse.