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Rapper KimOjax quer inspirar união dos inuítes na Gronelândia

Foto: Instagram

O rapper KimOjax quer unir e inspirar os gronelandeses através da música, que carrega uma mensagem clara: "não estamos à venda e não podemos ser propriedade de ninguém".

"Pessoas brancas estão interessadas na nossa terra. Não lutem por ela, não discutam, não estamos à venda e não podemos ser propriedade de ninguém", canta, no tema "Greenland is not for sale" ["A Gronelândia não está à venda"].

Conhecido na Gronelândia como KimOjax, Kim Jakobsen disse à Lusa que no rap se dirige aos compatriotas, ao mesmo tempo que faz eco dos anseios da população da ilha.

"A minha mensagem é clara: a nossa terra não está a venda", sublinhou, explicando que a ideia de propriedade sobre a terra não está em linha com o modo de vida ancestral dos inuítes.

"Se alguém quer viver na Gronelândia, tem que entender isto, porque, nos tempos antigos, os gronelandeses eram profundamente espirituais, entendiam a terra, o mar, a comida que caçavam, tudo".

Jakobsen vive em Nuuk e divide-se por várias ocupações, incluindo a música.

Quando, no ano passado, o cantor canadiano Wilbur Sargunaraj, lhe pediu para escrever um rap para uma canção sua, KimOjax não hesitou. "Escrevi em 15 minutos", contou, sinalizando com as mãos que a letra lhe veio das entranhas.

Para ele, não é uma questão política. "Nós, inuítes somos um", considerou. "Eu tinha uma mensagem muito forte para o meu povo. Porque quando se trata da nossa terra, somos um só".

O rapper "até era fã de [Donald] Trump, um excelente empresário", mas essa admiração perdeu-se quando o Presidente norte-americano começou a expressar publicamente o desejo de anexação do território da Gronelândia.

"As palavras devem ser usadas com cuidado, porque elas podem salvar ou destruir", disse sobre Trump.

A mensagem da canção encontrou eco nos gronelandeses, porque "quando se é indígena, tem de se proteger a terra, a língua e a cultura", garantiu Jakobsen.

O rapper deixou também críticas à Dinamarca por ter implementado um sistema muito diferente do estilo de vida inuíte e que, afirmou, cria desafios aos gronelandeses.

Sobre o futuro, não arriscou uma previsão para a data da independência, mas não escondeu que é isso que deseja, sublinhando o que considerou ser a resiliência histórica dos inuítes. "Sobrevivemos aqui há muito tempo", rematou.

Donald Trump tem tem vindo a declarar publicamente a intenção de controlar a Gronelândia, um território autónomo do reino da Dinamarca.

O presidente norte-americano alegou que a posição estratégica da ilha, com uma população de cerca de 57 mil pessoas, é vital para a defesa dos Estados Unidos.

Já se realizaram vários encontros de negociação entre os Estados Unidos, a Dinamarca e a Gronelândia e os Estados Unidos e a NATO, mas até agora sem resultados concretos.

JN/Agências