
Nuuk, capital da Gronelândia
Foto: Ina Fassbender / AFP
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, admitiu esta quinta-feira estar "um pouco mais otimista" sobre o futuro da Gronelândia, território controlado por aquele reino, depois do início das conversações técnicas com os Estados Unidos.
"Realizámos a primeira reunião de alto nível sobre a questão da Gronelândia ontem [na quarta-feira] em Washington" e, embora o assunto "ainda não esteja resolvido", a conversações "correram bem, num ambiente e tom muito construtivos", disse Rasmussen aos jornalistas, à entrada para uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, em Bruxelas.
"Estou um pouco mais otimista hoje do que estava há uma semana", acrescentou.
Estas conversações entre a Dinamarca, a Gronelândia e os Estados Unidos surgem depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter dito que o seu plano não passava por anexar o território ártico à força.
A Gronelândia está sob soberania da Dinamarca, membro da UE e da NATO, pelo que as ameaças de Donald Trump de controlar e anexar o território desencadearam uma das crises mais graves da história da Aliança Atlântica desde a sua criação, em 1949. A Dinamarca e a Gronelândia têm recusado, até ao momento, qualquer transferência de soberania, afirmando que o território ártico não está à venda.
O líder norte-americano indicou, no entanto, ter chegado a um acordo-quadro sobre a Gronelândia com o secretário-geral da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Mark Rutte, na semana passada, à margem do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, mas não foram avançadas deliberações concretas.
Segundo o enviado especial dos EUA para a Gronelândia, o governador da Louisiana, Jeff Landry, os pormenores do acordo ainda "estão a ser definidos", mas "a estrutura baseia-se nos acordos de defesa assinados entre os Estados Unidos e a Dinamarca em 1941 e 1951". O acordo vai reforçar "a segurança dos Estados Unidos, da NATO e da Gronelândia, ao mesmo tempo que reafirma as obrigações de defesa transatlânticas de longa data", referiu, num artigo de opinião publicado no jornal "The New York Times".
Além disso, o acordo "expandirá a liberdade operacional dos EUA, apoiará a criação de novas bases e infraestruturas, facilitará a implantação de sistemas avançados de defesa antimíssil, como o "Domo Dourado" [um projeto de escudo antimíssil], e conterá a influência hostil da China e da Rússia", acrescentou.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse na quarta-feira estar confiante de que poderia ser encontrada uma solução satisfatória "para todos" relativamente à Gronelândia.
Entretanto, o Rei Frederico X da Dinamarca anunciou hoje que irá visitar a Gronelândia entre 18 e 20 de fevereiro. "Estamos profundamente solidários com o povo da Gronelândia e muito comovidos com o que tem acontecido na Gronelândia nas últimas semanas", disse o monarca durante uma viagem à Lituânia. "Através da imprensa, podem ver e sentir que as pessoas estão muito inquietas (...), é claro isso nos preocupa aos dois", adiantou, referindo-se à sua mulher, a Rainha Mary.
Donald Trump afirma regularmente que o controlo da Gronelândia é essencial para a segurança dos EUA e acusa a Dinamarca, e de forma mais abrangente os europeus, de não protegerem adequadamente este território estratégico das ambições da Rússia e da China, seus rivais.
