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Filho da princesa da Noruega admite alguns crimes no arranque de julgamento histórico em Oslo

Retrato desenhado em tribunal de Marius Borg, no arranque de um julgamento acompanhado com grande expectativa mediática, onde é proibida a captação de fotografias Foto: Ane Hem / NTB/AFP

Filho da princesa Mette-Marit declarou-se parcialmente culpado no primeiro dia de um processo com 38 acusações. Tribunal proibiu fotografias e reforçou medidas num caso que expõe a monarquia norueguesa a uma pressão sem precedentes.

O julgamento de Marius Borg começou esta terça-feira, 3 de fevereiro, sob forte expectativa mediática no Tribunal do Distrito de Oslo, num processo considerado histórico pela gravidade dos crimes imputados e pela ligação direta do arguido à família real.

O filho da princesa Mette-Marit, sobre quem recai uma ordem de prisão preventiva de quatro semanas, sentou-se no banco dos réus da sala 250, construída para acolher o julgamento do massacre de Utøya, acusado de 38 crimes, seis de natureza sexual.

Entre as 9.43 e as 9.55 horas, Marius Borg respondeu em pé à leitura das acusações e admitiu alguns dos factos. Confessou o transporte de droga, infrações à lei do trânsito e um dos crimes de captação de imagens sexualmente explícitas sem consentimento nem conhecimento da vítima.

.Reconheceu ainda parcialmente agressões corporais graves contra a então namorada, ocorridas em agosto de 2024, mas negou os crimes de violação, abusos em relações próximas, assédio à polícia e os restantes delitos de natureza sexual que lhe são imputados.

Um tribunal sob tensão máxima e sem câmaras

A presença mediática foi intensa desde as primeiras horas da manhã, apesar da proibição expressa de fotografar o arguido, uma decisão permitida pela lei norueguesa e comunicada por Marius Borg ao tribunal. A interdição aplica-se também aos percursos de entrada e saída da sala, estando afixados avisos em vários pontos do edifício.

Por esse motivo, apenas retratos de arquivo e desenhos realizados no interior do tribunal foram divulgados. Jornalistas noruegueses relataram que o arguido entrou sereno, embora visivelmente afetado antes da leitura dos cargos, mostrando-se atento aos aspetos técnicos do processo e acompanhado de perto pelos advogados Petar Sekulic e Ellen Holager Andenæs, que lhe transmitiram calma ao longo da sessão.

O julgamento tem início num momento particularmente sensível para a monarquia norueguesa, já abalada por recentes revelações sobre a relação passada entre a princesa Mette-Marit e Jeffrey Epstein.

A tensão aumentou com a quarta detenção de Marius Borg, ocorrida no domingo à noite, cerca de 36 horas antes do início do julgamento, por suspeitas de agressão, ameaças com uma faca e violação de uma ordem de afastamento.

O jovem, que completou 29 anos antes de enfrentar o tribunal, foi levado a um hospital no leste do país e recebeu a visita dos príncipes Haakon e Mette-Marit e da princesa Ingrid, futura rainha, antes de regressar à prisão preventiva.

O processo deverá prolongar-se por sete semanas, com cerca de 50 testemunhos, num julgamento acompanhado de perto dentro e fora da Noruega e marcado pelo apelo da acusação à igualdade perante a lei, sublinhando que "o facto de Marius Borg fazer parte da família real não deveria influenciar a acusação nem o possível castigo".

Sara Oliveira