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Custo da reconstrução pós-guerra estimado em 500 mil milhões de euros

Danos no local de um ataque de drone russo perto de um supermercado e de uma cafetaria no centro de Kramatorsk, Leste da Ucrânia Foto: Tommaso Fumagalli / EPA

A reconstrução da Ucrânia no pós-guerra custará cerca de 500 mil milhões de euros na próxima década, segundo um relatório conjunto das autoridades ucranianas, Banco Mundial, União Europeia e Nações Unidas publicado esta segunda-feira.

"Os custos da reconstrução continuam a aumentar e estão agora estimados em 587,7 mil milhões de dólares [498,4 mil milhões de euros, ao câmbio atual] num horizonte de dez anos, equivalente a três vezes o PIB [produto interno bruto] da Ucrânia em 2025", refere o documento, citado pela agência France-Presse (AFP).

O relatório, que foi divulgado na véspera do quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia, aponta como os setores mais afetados são a habitação, os transportes e a energia.

Os danos e as necessidades concentram-se em regiões próximas da frente e em grandes áreas urbanas ucranianas, indica o relatório, que cobre os 46 meses desde o início da invasão até dezembro do ano passado.

As maiores necessidades a longo prazo estarão concentradas no setor dos transportes (82 mil milhões de euros), no setor energético (77 mil milhões de euros), habitação (77 mil milhões de euros), comércio e indústria (54 mil milhões de euros) e agricultura (47 mil milhões de euros).

As regiões de Donetsk (Leste) e Kharkiv (Nordeste), onde os combates estão concentrados, exigirão grandes esforços de reconstrução.

Para Kiev - com três milhões de habitantes -, a reconstrução é estimada em mais de 15 mil milhões de dólares (12,7 mil milhões de euros), já que a capital é frequentemente atingida por ataques de drones e mísseis russos.

As consequências humanas, socioeconómicas e ambientais da invasão russa serão sentidas "durante gerações", sublinha o relatório.

Os aliados ocidentais da Ucrânia libertaram mais de 400 mil milhões de dólares (cerca de 340 mil milhões de euros) em ajuda financeira, militar e humanitária desde o início da invasão russa, segundo o instituto alemão Kiel.

Atualmente, a Ucrânia está a gastar a maior parte destes fundos no esforço de guerra e na manutenção da sua economia.

A União Europeia aprovou em dezembro um empréstimo de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia para o período 2026-2027 - a maior parte para a sua defesa - mas a Hungria, cujo líder, Viktor Orbán, é próximo do Kremlin, está a ameaçar bloqueá-lo.

JN/Agências