Desporto

Villas-Boas sublinha o "combate do F. C. Porto contra insinuações e narrativas fabricadas"

André Villas-Boas diz que o F. C. Porto tem de lutar contra vários obstáculos na luta pelo título Foto: Mário Vasa

Presidente do F. C. Porto, André Villas-Boas, aborda episódios polémicos das últimas semanas e comenta pela primeira vez o "caso Prestianni".

No editorial que assina mensalmente na revista "Dragões", André Villas-Boas voltou a sublinhar os obstáculos colocados no caminho do F. C. Porto rumo às metas traçadas.

"Fevereiro foi mais um período em que a nossa identidade teve de falar mais alto do que o ruído com que tentam condicionar o F. C. Porto na luta pelos seus objetivos. Nesta caminhada, que desejamos gloriosa, haverá sempre obstáculos e haverá sempre momentos em que a margem de erro é mínima", escreveu o presidente portista.

"O deslize com o Casa Pia foi um desses momentos. No entanto, a lição mais importante a retirar desse deslize foi a resposta e essa foi imediata: união, trabalho e sentido de responsabilidade. A equipa reagiu como as equipas que querem ser campeãs: sem dramatismos, sem desculpas, sem histeria, mas com a determinação fria de quem sabe que a época se ganha a corrigir, a crescer e a responder em campo, ignorando o ruído e focando-se no essencial", acrescentou, recordando as incidências do clássico com o Sporting.

"Num jogo tenso e de detalhes, o empate acabou por surgir por mera infelicidade no lance que ditou o penálti já no último minuto. O futebol é feito de episódios que mudam jogos, mas nunca o espírito que abraça esta equipa, algo que se veio a confirmar com a vitória na Madeira, dedicada ao Samu, a quem desejamos uma pronta recuperação", referiu Villas-Boas.

"As vitórias frente ao Rio Ave e ao Arouca foram mais uma expressão dessa resposta competitiva, dessa capacidade de voltar a somar, com mérito e convicção, os pontos necessários para manter a distância pontual para os nossos rivais, reconhecendo a importância do nosso público em nos empurrar para a frente até à vitória. Um Dragão que não esquece os seus levantou-se ao minuto 17 para abraçar o Borja, pela perda trágica da sua mãe", sublinhou.

"Fora do campo, o F. C. Porto continua a ter de travar, diariamente, um combate contra uma sucessão de insinuações e narrativas fabricadas, que tantas vezes se afastam da isenção, do rigor e da deontologia que devem orientar quem informa, interpreta e comenta o fenómeno desportivo. Tudo dito com uma leviandade que não é inocente, nem é acidental. É parte de um padrão: um padrão que procura criar um ambiente disruptivo, condicionar perceções, fabricar suspeitas e reduzir o F. C. Porto à caricatura que lhes parece conveniente", indica o dirigente máximo dos azuis e brancos, lembrando uma série de episódios que marcaram as últimas semanas.

"Um clube negou a entrada a um jornalista para cobertura de um jogo no seu pavilhão, violando uma série de princípios básicos de liberdade de imprensa e acesso à informação; um capitão de um clube pontapeou um adversário na cabeça, num ato de selvajaria, com as imagens desse lance a desaparecerem de forma enigmática; um treinador de um clube lançou uma garrafa de água contra adeptos do F. C. Porto, depois de um jogador desse mesmo clube a ter lançado para o terreno de jogo a contestar uma decisão arbitral e obrigando à interrupção do mesmo; dois jogadores do FC Porto foram alvo de um ataque racista num pavilhão de um clube; um dos maiores grupos de media do país viu dois dos seus jornalistas serem alvo de ataques intimidatórios e persecutórios e vítimas de agressão psicológica por parte de adeptos de um clube que cortou relações com esse grupo; 123 adeptos de dois clubes foram detidos após confrontos entre si, causando pânico a pessoas e crianças num episódio de agitação social no centro de Lisboa, desconhecendo-se qualquer reação por parte dos dirigentes desses clubes ao sucedido, sete meses após sete adeptos de um clube serem acusados pelo Ministério Público de tentativa de homicídio a adeptos do F. C. Porto", apontou o presidente portista, abordando ainda o "caso Prestianni".

"E, por fim, a forma como um caso internacional envolvendo insultos racistas acabou por expor a nu alguns 'pensadores' e 'especialistas' incapazes de distinguir o valor da vida humana da clubite aguda de que sofrem, chegando ao ponto de recomendar a mentira para evitar males maiores para o seu clube. Isto não é 'só desporto'. Isto é falta de cultura, ética, moral e de civismo. É o nível de hipocrisia reinante que se instala quando se domina o espaço mediático e quando se é incapaz de distinguir fanatismo de direitos humanos, ou o dever de informar do direito de acesso à informação", salientou.

Em relação ao Conselho de Disciplina da FPF, André Villas-Boas também se pronunciou em tom crítico. "O F. C. Porto não pede privilégios. O F. C. Porto pede critérios. Pede coerência. Pede responsabilidade. E pede, acima de tudo, que a justiça desportiva e a credibilidade do jogo sejam defendidas com a mesma energia, independentemente do emblema em causa. Já que alguns media, por razões já evidenciadas acima, não o fazem, então que o façam, pelo menos, as instituições que governam o Desporto em Portugal", escreveu

"A nossa resposta será sempre a mesma: foco, união e trabalho. Porque sabemos que as armadilhas vão continuar. Sabemos que a tentativa de nos desviar do caminho será permanente. E sabemos também que o F. C. Porto é imparável quando está unido", concluiu.

Nuno A. Amaral