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Capitão do "Costa Concordia" não "levava os óculos postos"

Audiência decorre num teatro devido ao elevado número de pessoas que assistem aos trabalhos GIAMPIERO SPOSITO / Reuters

O capitão do "Costa Concordia", Francesco Schettino, não tinha os óculos postos na noite do acidente e teve de pedir ao primeiro oficial para controlar o radar.

Os argumentos foram apresentados, este sábado, pelo advogado de defesa do primeiro oficial, que também está a ser investigado pelo naufrágio do "Costa Concordia", que naufragou depois de ter embatido numa rocha, a 13 de janeiro. Morreram 25 pessoas e sete passageiros continuam dados como desaparecidos.

Schettino foi acusado pelas autoridades de ser o responsável pelo desastre por ter aproximado em demasia o "Costa Concordia" da costa.

O primeiro oficial, Ciro Ambrosio, e outros sete oficiais e executivos do navio estão também a ser investigados.

"Nessa noite, Schettino tinha deixado os óculos de ler no camarote e repetidamente pediu a Ambrosio que olhasse para o radar para avaliar a rota", disse o advogado do primeiro oficial, Salvatore Catalano, este sábado, durante a audiência deste sábado.

Schettina admitiu já que a rocha contra a qual chocou o barco não estava nas cartas de navegação e reconheceu que aproximou muito o navio da costa, mas que não era o único responsável pela tragédia.

Catalano assegura que o primeiro oficial ordenou a evacuação do "Costa Concordia", antes de o capitão decidir-se a faze-la. "Ordenou que se baixassem os salva-vidas desde a coberta número quatro até ao mar", explicou o advogado.

Nenhuma das pessoas que estão a ser investigadas assistiu à audiência, que decorreu à porta fechada, na cidade de Grosseto, num teatro, a única estrutura capaz de albergar as centenas de familiares das vítimas e dos sobreviventes da tragédia.

O advogado de Schettino, Bruno Leporatti, denunciou uma campanha mediática contra o capitão do "Costa Concordia" e reiterou que o seu cliente informou constantemente os responsáveis da marinha sobre o que se ia passando com o navio.

"Houve uma campanha mediática para denegrir o capitão Schettino... Tudo isto faz parte da ideia de que Schettino é o mau, o sujo, o feio, o que é absolutamente falso", disse o advogado, numa conferência de imprensa.

Francesco Schettino está acusado de uma série de crimes, incluindo homicídio involuntário e de abandonar o navio antes da evacuação dos passageiros. O capitão cumpre, atualmente, prisão domiciliária em Meta Sorrento, perto de Nápoles.

Redação