A troca de carne de vaca por carne de cavalo em refeições pré-cozinhadas comercializadas "não constitui qualquer risco para a saúde pública", tratando-se "apenas de um problema económico", disse, esta quinta-feira, à Lusa um especialista em Saúde Pública.
"Desdehá muitos anos que se come carne de cavalo,até havia talhos especializados em carne de cavalo,portanto não constitui qualquer risco para a saúde pública",afirmou Mário Durval, da Associação de Médicos de Saúde Pública.
Na semanapassada foram descobertas, no Reino Unido, embalagens de lasanha damarca Findus que contêm carne de cavalo,mas que estão etiquetadas como sendo carne de vaca. Entretanto, estasituação já foi detetada noutros países da Europa e com outrasmarcas, como a Picard, que já foram retiradas do mercado.
Para oespecialista, "isto é um problema só de crime económico,porque é uma aldrabice dizer que se está a vender uma coisa evender-se outra".
"Aspessoas não pensem que aquilo pode fazer-lhes mal, porque não faz.É só, como se costuma dizer, 'comprar gato por lebre'. Embora acarne seja semelhante, são dois herbívoros, não há grandediferença entre uma coisa e outra", referiu.
O Governoportuguês anunciou na quarta-feira que "não foi detetada atéao momento, em Portugal, nenhuma situação" de consumo de carnede cavaloem vez de vaca.
Numcomunicado, o Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamentodo Território refere tratar-se de "um crime de fraudeeconómica, quer quanto à origem, quer quanto à composição doproduto, bem como quanto à rotulagem", sublinhando que "acarne de cavalonão representa nenhum perigo para a saúde pública".
A tutelaadiantou também que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica(ASAE) está a "acompanhar e monitorizar a situação" egarante que a secretaria de Estado da Alimentação e InvestigaçãoAlimentar "salvaguardará sempre a segurança alimentar e adefesa do consumidor em Portugal".
A ComissãoEuropeia apelou na quinta-feira a todos os países da União Europeia(UE) para que façam testes de ADN aos produtos à base de vaca.