O PS mostra-se disponível para dialogar com o Governo, mas reduz expectativas ao salientar que defende a substituição do executivo e que o convite para conversações chegou 22 meses após o Governo estar em funções.
Estasposições constam da carta de resposta que o porta-voz do PS, JoãoAssunção Ribeiro, enviou ao ministro adjunto e do DesenvolvimentoRegional, Miguel Poiares Maduro.
Na semanapassada, o ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional convidou oPS para um processo de diálogo em torno de propostas para estimularo crescimento económico em Portugal.
Na cartade resposta do PS, à qual a agência Lusa teve acesso, refere-se adisponibilidade de os socialistas para dialogarem e não recusarem"por regra" os convites para reuniões formulados porórgãos de soberania.
"Nãoobstante, o Governo sabe que este convite surge 22 meses após a suaposse e depois de ter fechado as portas a qualquer contributo do PSpara dinamizar a economia nacional e preservar o emprego. O Governotambém não pode ignorar que o PS apresentou uma moção de censurano parlamento e que, em total coerência, continua a defender asubstituição do Governo, por considerar que este perdeu autoridade,credibilidade e a energia indispensáveis à mobilização dosportugueses em torno de uma estratégia realista que nos faça sairda crise", aponta João Assunção Ribeiro.
Namissiva, o dirigente socialista refere que o Governo "sabe"que o PS se opõe à política de austeridade e que o Governo "tambémsabe que falhou todas as metas para o défice orçamental e para adívida pública, originando uma espiral recessiva e um aumento nuncavisto do desemprego".
JoãoRibeiro alega ainda que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho,escreveu recentemente ao PS a considerar inviável a ideia de queexiste margem negocial para uma flexibilização adicional dos atuaislimites dos défices orçamentais inscritos no Programa deAssistência Económica e Financeira.
"OGoverno não aproveita nenhuma oportunidade para que o ajustamento dePortugal seja credível e sustentável em termos económicos,financeiros e sociais, apesar de o presidente do Eurogrupo e dopresidente da Comissão Europeia terem reafirmado, nas últimassemanas, que há sempre hipóteses de tornar as condições maisadequadas, consoante as condições concretas de cada Estado-membro",contrapõe o porta-voz do PS.
Nessecontexto de divergências de fundo, João Ribeiro adianta que "oPS considera que a Assembleia da República e, em particular aComissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas, é o local maisadequado para a apresentação e debate de propostas, venham elas doGoverno ou dos grupos parlamentares".
"Semesmo assim o Governo entender reunir fora do contexto parlamentarcom os partidos políticos, o PS estará presente, ficando a aguardarque seja informado do dia, hora e local", ressalva o dirigentesocialista.