O líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, declarou, esta quarta-feira, que o seu partido assumirá o "diálogo político e social" para uma "alternativa sólida", após reiterar a necessidade de eleições legislativas antecipadas, em declaração política no Parlamento.
O seuhomólogo social-democrata, Luís Montenegro, embora admitindo a"gravidade da situação política" em Portugal, optou porapelar ao "sentido de Estado" dos socialistas, com vista aproteger o país da "instabilidade dos mercados".
"O PSassumirá em plenitude as suas responsabilidades, do diálogopolítico e social, de submeter aos portugueses uma alternativasólida e o compromisso de concretizar um novo rumo para Portugal",disse o deputado socialista.
Zorrinhoconsiderou que "existe uma única solução" porque "aConstituição não engana" e "é necessário devolver avoz aos portugueses", exigindo "eleições para restaurar aconfiança e a esperança".
"EsteGoverno chegou ao fim. Temos ministros, mas não temos Governo. Éconfrangedora a falta de sentido de Estado da maioria e a atitude doprimeiro-ministro", afirmou, citando as recentes "baixas",Vítor Gaspar e Paulo Portas.
CavacoSilva reúne-se ainda esta quarta-feira com o líder do maior partidoda oposição, o socialista António José Seguro, após demissõesdaqueles dois ministros de Estado, respetivamente responsáveis pelasFinanças e os Negócios Estrangeiros.
Portas,líder democrata cristão, está reunido com a comissão executiva doCDS-PP a analisar o seu pedido de demissão ainda por aceitar porPassos Coelho.
"Nestabancada, não ignoramos a gravidade da situação política. Noprimeiro governo de Sócrates, também saíram o ministro dasFinanças e o dos Negócios Estrangeiros em menos de um ano",contrariou Montenegro.
O líderparlamentar do PSD criticou também a "postura política do PS,que vem afirmando há vários meses a necessidade de eleiçõesantecipadas" porque tal facto tem efeitos de "instabilidadenos mercados".
"Oque é que um processo de eleições pode trazer à vida das pessoas?Este é momento em que todos devemos ter serenidade e sentido deEstado para não desperdiçar o sacrifício e o esforço de tantasempresas e de tantas famílias", disse.
Zorrinhoatribuiu a "culpa da crise ao primeiro-ministro e à maioria queo apoia" e que "tinha o propósito de cortar pensões edespedir funcionários públicos", algo que a "dividiuirremediavelmente" e colocou "todos os outros portuguesesdo outro lado da barricada".
Nenhumdeputado do CDS-PP quis interpelar o líder da bancada socialista.