O russo Garry Kasparov reuniu, esta terça-feira, com o ministro da Educação, Nuno Crato, em Lisboa, no sentido de ajudar a implementar o xadrez - modalidade de que é Grande Mestre e ex-campeão do mundo - como ferramenta importante e fulcral no processo educativo de crianças até os nove anos de idade.
À margem da iniciativa, o russo, queatualmente solicitou a nacionalidade croata, é um dos maiores e maisconhecidos opositores a Vladimir Putin e, por isso, a questão daCrimeia não lhe passou ao lado. Kasparov avisa que está a em riscoa estabilidade mundial e que se asitiu a algo apenas comparável aoque Hitler e Saddam Hussein fizeram.
"Os Estados Unidos e União Europeiadeviam reagir. O que enfrentamos agora é o fim do mundo queconhecemos desde 1945. Desde então, ninguém, além de SadamHussein, anexou um território vizinho. Há muitas guerras, masanexação é só esta. Primeiro foi a Áustria com Hitler, Kuwait eagora a Crimeia com Putin. É um grito por uma resposta, porque senada for feito, todo o ideal da União Europeia, que se baseia emconsenso e conversações, desaparece. Não nos esqueçamos que aintegridade territorial da Ucrânia tem sido garantida pela Rússia,Estados Unidos e Reino Unido em troca de armas nucleares da Ucrâniaem 1994", explicou.
Kasparov, preso várias vezes por seroposição a Vladimir Putin, alertou para os perigos dos desejosexpansionistas do presidente russo, Vladimir Putin. "Há muitasformas de parar isto. A economia russa está dependente do Ocidentee, se houver um bloqueio forte e efetivo, a Rússia não resistemuito tempo, ao passo que a União Europeia pode sempre encontraralternativas ao fornecimento de petróleo, por exemplo, nas reservasnorueguesas. Esta posição de abuso não pode ser tolerada, oresultado foi esta anexação e pode não ficar por aqui, porque noseu discurso de hoje, Putin já fala na Moldávia e no Este daUcrânia. O que está em causa é a estabilidade mundial", avisou.