Política

Radicais conquistam votação sem precedentes nas Europeias

Marine Le Pen obteve 26% dos votos em França PIERRE ANDRIEU / AFP

O novo Parlamento Europeu contará, pela primeira vez, com cerca de 130 deputados extremistas, radicais, eurocéticos e nacionalistas. Representantes de partidos ou movimentos anti-europeus que conquistaram, domingo, uma votação sem precedentes em países como França, Áustria, Dinamarca, Reino Unido, Grécia e Hungria.

A Frente Nacional francesa assume-secomo figura de proa da tomada do Parlamento Europeu pelos radicais,que conquistaram, domingo, uma ampla presença na União Europeia denorte a sul (na Dinamarca e Finlândia, mas também na Grécia e emItália) e de Este a Oeste (Hungria, Alemanha, Reino Unido).

A Frente Nacional provocou um terramotopolítico em França vencendo as eleições europeias com 25,4% dosvotos, ficando à frente dos partidos de Governo e tornando-sesímbolo da subida dos partidos eurocéticos por toda a UniãoEuropeia.

O partido de Marine Le Pen passou detrês eurodeputados para 23 e tudo aponta para que seja a líder daextrema-direita francesa a liderar o grupo de radicais e deeurocéticos na formação de uma grande aliança no ParlamentoEuropeu.

O Jobbik, partido húngaro ultra-nacionalista de discurso racista,xenófobo e antissemita, ficou em segundo lugar com 14,7%, elegendotrês eurodeputados, mas perdendo 6% de votos em relaçãoàs legislativas em Abril.

O líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), anti-europeu, considerou "histórico"o resultado obtido nas eleições europeias, numa altura em que contacom 23 dos 73 deputados eleitos pelo país. O UKIP consegue 27% dosvotos, ou seja, mais dois pontos percentuais do que os Trabalhistas,o maior partido da oposição.

Partidos ultranacionalistas e anti-Europa foram dos que registaramsubidas mais acentuadas nos países escandinavos, com um partidoxenófobo a liderar os resultados das eleições europeias naDinamarca. O Partido Popular Dinamarquês foi o grande vencedordo escrutínio, conquistando quatro dos 13 lugares no ParlamentoEuropeu, com 26,7% dos votos, um resultado que representa uma subidade 11 pontos percentuais.

Na Finlândia, o partido populista e anti-Europa VerdadeirosFinlandeses subiu mais de três pontos percentuais na votação,registando 12,9%, resultado que garante dois lugares no ParlamentoEuropeu. Um dos eleitos, Jussi Halla-aho, foi condenado em 2012 porcomentários xenófobos e anti-islâmicos.

Na Suécia, a extrema-direitaregistou a maior subida de sete pontos, com os Democratas da Suéciaa terem 9,9% dos votos e dois eleitos. Outra surpresa foi a conquistade um lugar pelo partido Iniciativa Feminista, que foi criado hánove anos por uma popular ex-deputada socialista, que obteve agora5,3% dos votos.

Na Grécia, o partido Syriza, Coligaçãode Esquerda Radical, venceu as eleições europeias, com uma vantagemde mais de três pontos sobre os conservadores do primeiro-ministroAntonis Samaras.

Redação