Braga

Câmara de Braga contesta em tribunal pedido de indemnização de 71,9 milhões

Câmara de Braga contesta em tribunal pedido de indemnização de 71,9 milhões pelo resgate do estacionamento Paulo Jorge Magalhães /Arquivo Global Imagens

Fora do prazo legal. É esta a principal linha de argumentação da contestação que a Câmara de Braga entregou, esta quarta-feira, no Tribunal Administrativo e Fiscal para tentar anular uma ação da concessionária de estacionamento à superfície, a empresa ESSE, da família do empresário António Salvador, que pede 71 milhões de euros de indemnização pelo resgate da concessão.

A Câmara decidiu em 2016 resgatar a concessão do estacionamento, ao fim de cinco anos, de acordo com o que está instituído no contrato. O resgate começaria a 9 de janeiro deste ano, mas a ESSE entregou, dia 4, uma ação naquele Tribunal, seguida de uma providência cautelar para travar o processo.

Na contestação, o advogado do Município, Fernando Barbosa e Silva começa por avisar o juiz de que a ESSE invoca uma deliberação da Assembleia Municipal, de março de 2016, de resgate da concessão, a qual nunca existiu.

Sustenta que, a decisão camarária de março de 2016 de terminar com o contrato, outorgado em finais de 2012 pelo executivo do ex-presidente Mesquita Machado, foi tomada um ano antes do termo dos primeiros cinco anos, e comunicada em abril seguinte à ESSE. Ora, e aqui reside o diferendo, a Câmara sustenta que o ato administrativo de resgate tem efeitos jurídicos imediatos, pelo que a ESSE deveria tê-la contestado, no prazo de três meses, de acordo com o clausulado do contrato. A ESSE veio dizer ao Tribunal que o ato administrativo "é diferido" no tempo, dado que só produziria efeitos a 9 de janeiro de 2018.

"Estando a validade deste ato administrativo dependente da efetiva notificação da ESSE, é manifesto que a contagem do prazo de impugnação do mesmo, previsto no Código de Processo nos Tribunais Administrativos, se mostra grosseiramente ultrapassado, sendo, por isso, extemporânea a propositura quer desta providência cautelar, quer da ação administrativa definitiva", defende o jurista.

Indemnização

A ação principal da ESSE chega aos 71,9 milhões de euros de indemnização. Montante que corresponde à receita dos 4455 parcómetros que resultariam da quarta fase do alargamento do contrato inicial, assinado em janeiro de 2013 com o anterior executivo municipal socialista. Ou seja: a ESSE teria 2,33 milhões de euros anuais de lucro, em 30 anos, para um investimento inicial de cerca de 500 mil, a montar o negócio. E faturaria 177 milhões, metade dos quais seriam para a Câmara. Esta só quer pagar 171 mil euros de indemnização. E diz que a concessão inicial era, apenas, de 1172 lugares com parcómetro, não prevendo o contrato qualquer alargamento obrigatório.

Luís Moreira