A escritora e jornalista Natércia Freire, Prémio Nacional de Poesia em 1971, faleceu ontem em Lisboa, aos 85 anos, revelou fonte da editora Assírio & Alvim, que publicou a sua última antologia.
O corpo da poetisa está em câmara ardente no Mosteiro dos Jerónimos e o funeral segue hoje à tarde para o cemitério da Ajuda, em Lisboa.
Nascida em Benavente (Santarém) em 1919, Natércia Freire deixou várias obras de poesia, entre as quais "Os Intrusos", pelo qual recebeu o Prémio Nacional de Poesia em 1971.
"Rio Infindável" (1947) e "Anel de Sete Pedras" (1952), ambos galardoados com o Prémio Antero de Quental, e "Antologia Poética", editada pela Assírio & Alvim em 2001, fazem parte também da obra poética de Natércia Freire. Na prosa são conhecidos vários contos.
A incursão no mundo da poesia aconteceu com a ajuda de José Osório de Oliveira, por intermédio de quem abandonou a composição musical. Editou o seu primeiro livro de poesia, "Castelos de sonho", em 1935, ao qual se seguiria "O meu caminho de luz".
A colaboração com publicações periódicas surigiria três anos depois a partir de 1938 começou a participar em várias revistas e jornais. É já no final da década de 40 que inicia a colaboração com o jornal "Diário de Notícias". Na área do jornalismo, distinguiu-se ainda pela coordenação, entre 1954 e 1974, da Página de Artes e Letras daquele jornal, o que lhe valeu o reconhecimento junto de jornalistas e escritores portugueses. Aí organizou um espaço onde colaboraram artistas plásticos e escritores de todos os quadrantes, nacionais e estrangeiros.
Natércia Freire assinava, desde os anos 40, uma rubrica na Emissora Nacional, exercendo, paralelamente, uma ampla actividade como conferencista.
A partir de 1974 retirou-se da vida literária nacional, apenas marcando presença discreta em algumas publicações periódicas.
Em 1991 e 1995 editou a sua obra poética completa com a chancela da Imprensa Nacional Casa da Moeda.
