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Bloqueio de ambientalistas na Vicaima acaba em detenções

Bloqueio de ambientalistas na Vicaima acaba em detenções

Agressões físicas, detenções e anunciados processos em tribunal marcaram a acção de protesto levada a cabo por nove activistas da Greenpeace e da Quercus, que, ontem, bloquearam a principal entrada da Vicaima, empresa transformadora de madeiras, situada na freguesia de Codal, Vale de Cambra. Os activistas foram presentes a tribunal, tendo-lhes sido decretado o termo de identidade e residência. O julgamento será no dia 16 de Abril.

A iniciativa dos ambientalistas tinha por objectivo chamar a atenção para o abate ilegal de árvores no Brasil e surge na sequência da tentativa de impedir a descarga de um navio (Skyteam) carregado de madeira exótica, na passada semana, no porto de Leixões. A Vicaima compra parte da madeira que utiliza na Madeiporto, empresa que faz parte do grupo e que, "alegadamente, é uma das importadoras da madeira transportada pelo navio Skyman", dizem os ambientalistas.

Eram sete horas da manhã quando os nove activistas se acorrentaram ao portão da Vicaima deixando entrar apenas os trabalhadores e impedindo a entrada e saída de viaturas. Os dirigentes da Quercus e da Greenpeace foram recebidos pelo director de produção da empresa, Filipe Ferreira, a quem disseram que levantariam o bloqueio se fosse assinado um compromisso em que a empresa se limitaria a operar com madeira certificada. O bloqueio manteve-se já que Filipe Pereira não tinha autoridade para tomar qualquer decisão.

Com a chegada de Álvaro Costa Leite, um dos administradores da empresa, acabariam por se registar os incidentes da manhã. O empresário estacionou o seu carro a escassos centímetros de um dos activistas que estava acorrentado e, em seguida, agrediu um operador de câmara da SIC. O operador, a título individual, e a direcção da SIC vão, agora, processar aquele empresário. Outro responsável da empresa, entretanto chegado ao local, acabaria por atiçar mais os ânimos ao agredir Luís Galrão, dirigente da Quercus, apesar de a GNR estar presente no local.

Luís Galrão explicou ser uma das empresas onde podem "fazer isto", adiantando que "Sonae Indústria, Ovar Madeiras, Madeicentro e Madeiporto" são algumas das várias empresas visadas pela campanha dos activistas e onde acções dessa natureza poderiam ocorrer.

Outro administrador da empresa, Arlindo Costa Leite, garantiu, por sua vez, que a Vicaima utiliza "madeiras importadas de abates legais e está certificada em termos ambientais e de qualidade (…). A Madeiporto é importadora há 46 anos, pauta-se pela legalidade e está em processo de certificação FSC (norma que controla a origem das madeiras)", disse. Anunciou, ainda, que vai ser apresentada queixa contra a Quercus, considerando que a acção provocou mais de dez milhões de euros de prejuízos.

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