Uma peça de uma escultura integrada numa exposição de arte contemporânea, patente no Centro de artes e Espectáculos (CAE) da Figueira da Foz, dada como desaparecida, na última semana de Dezembro, foi "mandada para o lixo por engano" admitiu, ao JN, uma empregada de limpeza.
A peça - os "cacos" como já é conhecida - faz parte de um lavatório com um dos cantos partido e estava colocada junto àquele, no chão da sala de exposições. A obra de arte, intitulada "As Frases", é da autoria do artista plástico e poeta Jimmie Durham, norte-americano descendente dos índios Cherokee.
"Não foi por mal que coloquei os cacos no contentor. Foi um engano" confessou a auxiliar de limpeza. "Pensei que aquilo (os cacos) fosse lixo de obras que estivessem a decorrer", contou. Só que o "lixo" vale alguns "milhares de euros" e pertence à obra de Jimmie Durham incluída na exposição, organizada pelo Centro Cultural de Belém intitulada "Eu, Tu, Eles", baseada num conjunto de peças, de artistas nacionais e estrangeiros, da colecção de arte contemporânea do Instituto das Artes .
"Vi os cacos no chão. Perguntei a uma colega se eram para deitar fora. Disse-me que sim, peguei na pá e na vassoura e deitei tudo no contentor" revelou ainda a funcionária.
Apesar de insólita, a situação não é única. Em Junho, um funcionário de limpeza da Tate Britain deitou ao lixo um saco de plástico com cartão e papel amarrotado do artista alemão Gustav Metzger. Dois anos antes, também em Londres, mas na Eyestorm Gallery, foi para o lixo uma instalação de Damien Hirst, composta por cinzeiros escuros e garrafas de cerveja vazias.
Nos anos 80, foi o zelo do empregado de uma galeria alemã que o levou a esfregar a sujidade de uma banheira, parte de uma obra de Joseph Beuys...
