O deputado do PS João Portugal acusou, ontem, a Universidade Católica - pólo da Figueira da Foz - de ter feito um "aproveitamento financeiro" ao vender um terreno situado perto das Abadias, destinado à instalação de um "campus" universitário, ao grupo privado Visabeira, que agora ali pretende construir um hotel.
Em causa está um terreno, com cerca de 17000 m2, adquirido em 2001 pela Católica ao Ministério da Defesa, por 2,25 milhões de euros. No contrato, assinado em Maio de 2003, existe uma cláusula resolutiva, a favor do Estado, que impedia a entidade "cessionária alienar o imóvel a terceiros".
Contudo, em Junho seguinte, a Católica, atendendo à tal clausula, requereu à ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, para alienar o imóvel cedido, declarando "já não pretender investir na construção do edifício e estar a ponderar encerrar os seus cursos na Figueira". Em Agosto, a proposta foi autorizada pelo Ministério das Finanças, tendo a Católica vendido o terreno por 3,5 milhões de euros ao grupo Visabeira. O negócio rendeu à Católica 1,25 milhões de euros.
"É esquisito como de um mês para o outro a Católica tenha mudado de opinião sobre o que pretendia fazer. [Com este negócio] uma entidade privada veio ganhar dinheiro à conta dos terrenos do Estado. Não se compreende", denunciou João Portugal, ontem, em conferência de imprensa, depois de obter a resposta a um requerimento que interpôs sobre o assunto à Assembleia da República. PD
