Lagar da cadeia de Izeda já
não chega para as encomendas
OEstabelecimento Prisional (EP) de Izeda, no concelho de Bragança, é a única cadeia do país que dispõe de um lagar de azeite em laboração. Trata-se de um lagar de prensas tradicional, que não dispõe de linha contínua como a maioria que funciona actualmente e um dos poucos no distrito de Bragança.
São muitos os agricultores do concelho que se deslocam ao lagar para transformar a azeitona em azeite. O método tradicional agrada aos transmontanos, pelo que a procura tem vindo a aumentar de ano para ano.
Marcações prévias
A procura dos serviços do lagar da cadeia de Izeda é tanta que os responsáveis se vêem obrigados a recusar clientes e a fazer marcações prévias, às vezes, de três semanas. "As pessoas acham que o tradicional é que é bom e talvez seja por isso que nos procuram cada vez mais" explicou António Padrão, responsável pelo equipamento. Uma coisa é certa a população está satisfeita e faz gosto em que o lagar continue aberto e em laboração. "Enquanto este trabalhar, não vão fazer o azeite a outro lado" atestou António Padrão.
O lagar existe há 40 anos, foi reactivado há dez, após um interregno de mais de cinco. Anualmente, abre ao público para a campanha da azeitona, durante dois meses. O lagar, tal como todo o restante património, foi herdado de uma instituição ligada à inserção de menores com menos de 18 anos que existia em Izeda e que foi extinta.
É o lagar mais antigo de Izeda ainda em laboração, mas, apesar de velho, não deixa de cumprir as normas impostas pela Comunidade Europeia sobre o sector. No local, foi feito um investimento superior aos 30 mil euros.
"Tivemos de reunir as condições impostas, porque todos os anos acrescentam mais qualquer coisa e nós temos de cumprir. Conseguimos fazer isso e nota-se a diferença", adiantou António Padrão.
Normalmente, trabalham naquele espaço seis reclusos, mas podem chegar aos 12 se o trabalho aumentar, o que geralmente acontece quando há mais clientes em simultâneo e quando é preciso mais gente para carregamentos de bagas .
Angariar dinheiro
O trabalho no lagar é considerado "essencial" para a reinserção dos reclusos, "porque, em primeiro lugar, estão ocupados e, depois, conseguem, desta maneira, angariar dinheiro, que podem usar nas saídas precárias. Esta é, aliás, uma das maiores motivações para eles trabalharem", disse o encarregado do lagar.
Os reclusos são escolhidos pela direcção do Estabelecimento Prisonal de Izeda, mas nem todos aguentam o ritmo até às 22 horas "É um trabalho rotineiro, que exige continuidade", argumenta o funcionário.
Esperada boa safra
Entre 150 a 200 toneladas de azeitona são transformadas em cada campanha. Depende, porém, se há ou não boa safra. Este ano, tudo indica será de boa safra. Diariamente, labora-se com cerca de seis mil quilos. Parte da azeitona provém dos terrenos da cadeia de Izeda, cuja produção se destina a consumo interno e à venda directa ao público.
Clientela está a crescer
A azeitona é proveniente de 100 a 200 clientes. Meia centena são utilizadores habituais do lagar da cadeia e procuram-no todos os anos. A maioria dos utilizadores do lagar são de Izeda, mas também há muitos de aldeias vizinhas. O uso do método quase artesanal faz com que o lagar tenha muita procura, aumentando ano a ano.
Produto final melhor
Um carregamento entre 2500 e 3000 toneladas de azeitona é laborado em cerca de quatro horas, no lagar de prensas da cadeia de Izeda. Num lagar moderno, o processo demora uma hora. Mas muitos lagareiros estão a tentar voltar ao método tradicional o produto final agrada aos consumidores
Reclusos são maioria
Maioria do trabalho no lagar é desempenhado pelos reclusos, sob orientação de funcionários do estabelecimento prisional. Este ano, seis reclusos asseguram as várias tarefas. Mas, em caso de necessidade, são chamados mais seis.
