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Passamano abre ao público 130 anos depois

Passamano abre ao público 130 anos depois

Ovelhinho Passamano, a artéria pedonal multissecular que da actual Rua Cândido dos Reis seguia até ao velho caminho para Santa Luzia, reabriu 130 anos depois de ter sido fechado, em 1876, aquando da construção da linha do caminho-de-ferro e da correspondente estação.

A passagem estava transformada em beco sem saída entre o palacete dos Werneck e o muro do jardim da Congregação da Caridade, deixando de ser um excelente atalho para quem, do centro da cidade, quisesse rumar para os lados de Areosa e de Santa Luzia. "Como não tinha qualquer utilidade, desde 1923, a entrada para o popular Passamano, foi fechada com um portão trabalhado em estilo D. João V, que, do Convento das Ursulinas, para ali foi transferido e onde ainda se conserva até ao presente", referiu fonte da autarquia vianense.

Projecto

Tendo em conta a situação, a Câmara Municipal elaborou um projecto para recuperar essa passagem, candidatou-o ao programa turístico PIQTUR, tendo reconstituindo as infra-estruturas, substituindo o aqueduto comum a águas residuais e pluviais por condutas autónomas, instalando vias para telecomunicações, electricidade e fibra óptica. Além disso, o piso foi lajeado com uma berma ajardinada. Esta obra orçada em 82 mil euros permitiu que a histórica passagem fosse, há dias, restituída ao uso público.

Esta via permite ultrapassar as vias férreas que o separam da Avenida 25 de Abril, utilizando o elevador de acesso à ponte aérea que conduz ao Interface e à Rotunda do Hospital.

Muito próximo do lugar de saída dessa ponte, fica o Elevador de Santa Luzia, que facilita aos utentes prosseguir a ecopista da cidade, que liga os quatro ecossistemas, e tem prolongamento no Monte de Santa Luzia.

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Com mais de 500 anos

Segundo o historiador local António Carvalho, o caminho que vai ser reaberto e situado num dos topos da Rua Cândido dos Reis, em pleno Centro Histórico de Viana do Castelo, existe há mais de 500 anos e era a ligação pedonal mais directa entre o centro da cidade e as zonas da Areosa e das Ursulinas. A chegada a Viana do Castelo da linha de caminho-de-ferro "cortou" o "Passamano" a meio, pelo que foi decidido encerrá-lo, com a colocação de uma porta em cada um dos topos. No topo que dá para a cidade, foi primeiro colocada uma porta "tipo quinta", que, em 1923, seria substituída pelo actual portão "estilo D. João V", retirado do antigo convento das Ursulinas. "Muita gente pensa que aquele portão pertence ao palacete dos Werneck, situado mesmo ali ao lado, nem sequer imaginando que aquilo é um caminho público".

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