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"Todos os clientes começaram a pedir os produtos da IBM"

"Todos os clientes começaram a pedir os produtos da IBM"

Carlos Maia Nogueira, hoje presidente da Solbi, uma das principais empresas de informática em Portugal, foi um espectador privilegiado da expansão dos PC's da IBM. Foi este gestor, agora com 63 anos, que criou a primeira empresa de comercialização de computadores no país, em 1980. Um ano mais tarde, foi ele quem começou a importar aquele produto específico da marca norte-americana.

"Todos os clientes começaram a pedir os computadores da IBM. A marca tinha uma publicidade muito forte, porque na altura até havia produtos mais avançados no mercado", recorda Maia Nogueira.

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A empresa de Maia Nogueira havia nascido em 1980. Depois de vender um outro negócio, o empresário fez uma viagem pela Europa. Em Bruxelas, viu um computador Sinclair ZX80. Decidiu ir a Inglaterra, onde garantiu a exclusividade da importação daquela máquina para Portugal, criando a primeira empresa de computadores em território nacional, a Landry.

Através de um pequeno anúncio colocado no jornal Expresso, conseguiu vender "dezenas de milhares de computadores". Para tal, nem precisou de endividar-se. As pessoas pagavam adiantado, a Landry fazia as encomendas, e a mercadoria chegava um mês depois. Começou depois a alargar a venda a outras marcas.

A IBM, garante, estava até um pouco atrasada em relação à concorrência, nesses tempos. E, recorda o gestor, a introdução da marca em Portugal não foi isenta de singularidades, nomeadamente de cariz político.

Em 1981, ainda havia muita agitação ideológica em resultado do processo revolucionário do 25 de Abril. Então, a marca norte-americana, temendo que o computador pudesse de alguma forma ficar relacionado com o partido da foice e do martelo, abandonou a designação de PC, apenas em Portugal.

A revolução informática dos anos 80 acabou com práticas que hoje estão nos livros de história. A primeira vez que Carlos Maia Nogueira contactou com os embriões dos computadores deu-sena década de 60. Na altura, tinha uma empresa de estudos de mercado e fazia trimestralmente um barómetro de marcas, utilizando para tal os serviços mecanográficos da Emissora Nacional.

O cálculo era um processo complexo, em que os dados dos questionários feitos pela empresa eram primeiro passados para um fita perfurada e depois para cartões perfurados. Isto para que um processador, então denominado de tabuladora, e que mais não era que uma imponente máquina com 16 metros quadrados, pudesse calcular os resultados totais obtidos pelos questionários.

E com todo este processo só se conseguia fazer uma operação matemática a soma. Para calcular percentagens, Maia Nogueira utilizava manualmente uma régua de calcular, com 50 centímetros, que ajudava perceber quanto é que uma marca vendia por região, por exemplo. E só para aceder à impressora, era necessário subir dois degraus. João Paulo Madeira

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