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Da Escola Diogo Cão para o est relato da Luz

Da Escola Diogo Cão para o est relato da Luz

Simão Sabrosa é um jogador de gostos caros, alguns mesmo luxuosos. Os relógios são apenas e só um desses exemplos. O seu mais mediático é um Jacobs & Co., de 15.600 euros, vendido com quatro barceletes e uma argola de brilhantes. No entanto, os mais utilizados por si são o Rolex, modelo Daytona, que custa 6300 euros, e um Louis Vuitton, modelo Cup Regate, de 5450 euros. Os carros são outras das suas perdições. Tem um Bentley Continental GT, avaliado em mais de cerca de 222 mil euros - o futebolista teve um ligeiro mas mediático acidente com este veículo em Março do ano passado, antes de uma sessão na Luz - e um Saab 9-3 Sport Hatch TiD de 150 cavalos, de 45 mil euros. A carro de origem sueca foi, todavia, cedido gratuitamente pela Cimpomóvel ao futebolista com a condição de o levar diariamente aos treinos. O internacional português não esconde igualmente uma predilecção por óculos. Possui uma vasta colecção, de todas as marcas e feitios, de acordo com o seu penteado e com a roupa que utiliza. Aprecia também jóias, que oferece preferencialmente à mulher Filipa e à mãe Ilda. Nos dias livres ou nas férias, aprecia ser tratado como um rei. Por exemplo, após o último Mundial, passou férias no luxuoso Suites Alba Resort & Spa, perto da Vila do Carvoeiro, propriedade dePaulo China e de Luís Figo...

Da Escola Diogo Cão para o est relato da Luz

OSporting descobriu-o em Coimbra, num jogo de iniciados entre a União e a Escola Diogo Cão. Natural de Constantim - aldeia com cerca de mil habitantes -, Vila Real, onde nasceu a 31 de Outubro de 1979, Simão Sabrosa mal sabia que a mudança da Primária de Constantim para a Secundária Diogo Cão lhe havia de mudar a vida para sempre.

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Naquele dia, na cidade dos estudantes, Mário Lino, um dos olheiros leoninos da época, ficou deliciado com o rapazito e tratou logo de tentar convencer a família Sabrosa, benfiquista dos pés à cabeça, que o rival Sporting estava interessadíssimo em levá-lo para as escolas de formação de Alvalade. A mãe Ilda deitou as mãos à cabeça, não queria sequer pensar nisso mas Serafim, o filho mais velho, acabaria por dar a volta à matriarca. Era, curiosamente, o irmão que muitas vezes lhe fazia os trabalhos de casa quando chegava, exausto, a casa após um dia de estudo e de pontapé na bola.

A 22 de Novembro de 1992, o miúdo de 13 anos abandona a família com a mãe em choque e estabelece-se definitivamente em Lisboa. Mesmo sem o arrozinho solto de feijão e pataniscas, que os pais lhe faziam em casa por ser o seu prato preferido, é decisivo na conquistas do título de iniciados ao ajudar o Sporting, com dois tentos, a golear o Benfica em pleno Estádio da Luz (sim, foi mesmo no relvado principal da antiga Luz...), por 4-1. Estávamos em Maio de 1994 e eram já passado os imensos telefonemas de Simão a choramingar saudades da família.

Enfim, já ninguém o parava embora tenha sido sempre segredo que esteve uma vez para ser dispensado do... Sporting. Dois anos mais tarde, conquista o seu primeiro grande título ao sagrar-se campeão europeu de sub-16. Um ano depois torna-se "homenzinho" ao jogar, pela primeira vez, na 1.ª Divisão. A estreia não podia ter sido melhor entra num Salgueiros-Sporting (0-3), disputado na Maia, aos 77 minutos e, aos 78, marca golo! Numa carreira em ascensão, estreia-se na selecção "A" em Novembro de 1998 frente a Israel, no Bonfim e volta a marcar numa estreia. Ainda esteve no Mundial sub-20 de má memória da Nigéria, em 1999. Aliás, em matéria de selecção, apenas voltaria a ter motivos para sorrir em 2004... Não foi convocado para o Euro 2000 e uma lesão grave impedi-o de estar no Mundial de 2002.

Recuando outra vez no tempo, as épocas maravilhosas de 97/98 e 98/99 com o leão ao peito fizeram o Barcelona perder a cabeça. Resgata-o com apenas 18 anos a troco de milionários 15 milhões de euros. No entanto, a viagem para a Catalunha apenas foi de sonho no início. Recorda-se, todavia, um golo seu num dos clássicos Barcelona-Real Madrid mais tensos de sempre (Outubro de 2000), que marcou o regresso escaldante de Figo ao Camp Nou com a camisola merengue.

No final de Julho de 2001, voltaria a Portugal, desta vez para o Benfica - os encarnados compraram o seu passe por 12 milhões. A sua apresentação foi apoteótica na Luz, perante 15 mil pessoas, com o presidente Vilarinho eufórico com a aquisição.

Em entrevista à Notícias Magazine, a mãe Ilda disse o que lhe ia na alma. "Ele queria regressar ao clube da sua formação. Mas não foi para o Sporting porque a direcção não quis ou não teve dinheiro. Eu fiquei feliz porque finalmente tinha o meu filho a jogar no meu clube do coração. Espero que o Simão termine a carreira no Benfica".

Nas águias, todas a gente se lembra do seu percurso. Em 03/04, já capitão de equipa, faz corar José Mourinho e o F.C. Porto ao marcar, de cabeça, o golo que garantiria a Taça, o primeiro título encarnado após vários anos de total jejum. Na temporada seguinte, chegou o tão suspirado campeonato nacional. Mesmo a sofrer de uma hérnia durante a segunda parte da prova - só seria operado no início das férias -, contribuiu com 15 golos para o êxito do conjunto de Trapattoni.

Na época passada, foi uma das estrelas da Champions. Mercê de um fantástico tento em Anfield Road, ajudou o clube a eliminar o campeão europeu Liverpool com duas vitórias mas falhou uma oportunidade golo importante em Barcelona que poderia ter dado o apuramento para as meias. Ao longo das últimas duas épocas, o seu nome tem sido constantemente falado como reforço de clubes espanhóis e ingleses. Por agora, continua por cá.

Jesualdo Ferreira foi, várias vezes, treinador de Simão. Juntos participaram no Mundial sub-20 da Nigéria e reencontraram-se depois na Luz. Eis o que o agora técnico dos dragões dizia dele em Agosto de 2004. Este texto foi extraído do site oficial do jogador. "Quando penso em Simão lembro-me de um miúdo franzino dos sub-16, alguém que jogava com grande alegria e vivacidade e com tanto talento que era difícil não perceber que um dia seria grande. Recordo também o jovem de 18 anos que chamei para um particular com a Bélgica, em sub-21. Se tivesse de defini-lo apenas em uma expressão, chamar-lhe-ia o talento do colectivo. Apesar de ter grande capacidade individual, quer técnica quer física, Simão destaca-se pela cultura táctica que possui e pelo domínio dos interesses colectivos, que põe sempre à frente de tudo o resto. (...) Possui também uma outra característica importante não tem medo. Nem da pressão dos jogos, nem dos adversários. Pelo contrário, com o tempo tornou-se cada vez mais agressivo, cada vez mais interessado em procurar a bola para jogar. (...) Como se não bastasse, Simão é psicologicamente muito forte, reage bem às adversidades. Quanto mais exigente é o desafio mais se motiva. Tem enorme sentido de justiça, o que torna um elemento muito importante para ter num grupo, onde funciona como fermento de união. O mais curioso é que Simão nunca deixou ter a idade que tem, mas andou sempre à frente da maioria. (...) Reagiu sempre com grande maturidade quando o chamaram para jogar entre jogadores de maior idade. É um ser humano adorável, alguém com quem é muito agradável conviver".

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