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Guarda-redes não tinha intenção de marcar golo

Guarda-redes não tinha intenção de marcar golo

Ricardo Moura já é guarda-redes desde os seis anos, mas estava longe de imaginar que um dia iria ser protagonista de um episódio insólito do futebol juvenil português. O guardião do Leixões fez um golo de baliza a baliza, que permitiu aos matosinhenses empatar a duas bolas com o Guimarães, no encontro da 30.ª e última jornada da primeira fase do Campeonato Nacional de Juniores A da 1.ª Divisão.

"A minha intenção era colocar a bola no avançado que se estava a desmarcar, mas o pontapé saiu com mais força e deu golo", explicou o atleta, acrescentando que o vento também pode ter dado uma ajuda na trajectória efectuada pelo esférico.

Titular indiscutível em todos os jogos disputados pelo clube matosinhense, já numa outra partida, também esta temporada, Ricardo Moura tinha feito um primeiro ensaio. "No jogo com o Braga enviei a bola à barra. Ontem é que fiz mesmo golo", disse. Mas este não é o único golo apontado pelo guarda-redes, natural de Campo, em Valongo. O primeiro foi na marcação de uma grande penalidade, durante um torneio.

Ricardo Moura, de 18 anos, iniciou-se nas lides do futebol aos seis e desde essa altura as luvas fazem parte da sua indumentária em campo. As primeiras defesas começaram a ser feitas no Infesta, passando também pelo F. C. Porto. O emblema do Leixões já o tem ao peito há cinco anos, desde os iniciados, e quer envergá-lo também nos seniores. "Gostava imenso de continuar a jogar no Leixões, é um grande clube e merece estar na Liga", avançou o jogador, que tem por ídolo Vítor Baía.

Embora o futebol ocupe grande parte do tempo do jovem guarda-redes, os estudos não foram deixados para trás. Frequenta o 11.º ano de escolaridade, na área científico-natural. "O meu objectivo é tornar-me jogador profissional, mas se não conseguir, quero entrar para a Faculdade de Desporto", anunciou.

Quanto à temporada que encerrou anteontem, Ricardo Moura defende que o Leixões podia ter tido uma melhor prestação. "A época não nos correu bem, poderíamos ter feito melhor do que o sétimo lugar. Nos juvenis, esta equipa chegou à fase final".

O guarda-redes reconhece que sofreu "bastantes golos", 42 em 30 jogos, e avança com uma justificação. "A nossa equipa em termos defensivos não esteve muito bem, por isso sofremos mais golos do que é habitual. Nas outras época sofremos menos. A nossa classificação deve-se, em parte, a isso". Susana Silva

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