O presidente da Prisa, Jesús de Polanco Gutiérrez morreu ontem em Madrid, aos 77 anos, vítima de cancro na medula óssea. O fundador do principal grupo de média privado espanhol, do qual detinha 64% do capital, tinha já em Novembro nomeado para sucessor, através do Conselho de Administração, o filho Ignacio Polanco Moreno. Este último exercia desde então as funções de vice-presidente da empresa.
Nascido em Madrid, a 7 de Novembro de 1929, Jesús de Polanco financiou os seus estudos em Direito a vender livros, tendo fundado em 1958 a Editorial Santillana. Mais tarde, em 1976, financiou o lançamento do El País, dirigido por Juan Luís Cébrian, considerado o diário de "transição" democrática, após quase quatro décadas de ditadura franquista.
Com a entrada no negócio nos média nascia também a Prisa da qual esteve à frente durante três décadas. Actualmente, o grupo possui, entre outros média, a rádio Cadena Ser, o jornal económico Cinco Dias, o diário de desporto As, o canal de televisão Cuatro, e é o principal accionista da Sogecable, operador do canal Plus em Espanha.
A entrada da Prisa em Portugal ocorreu em 2005 com a aquisição de parte da Média Capital, que detém a TVI e o Rádio Clube. No ano passado, através de uma oferta pública de aquisição (OPA) voluntária, a empresa espanhola reuniu 73,7% do capital, assegurando assim o controlo do grupo português. Amanhã tem início a OPA da Vertix (integralmente detida pela Prisa) sobre o canal de Queluz. Foi, aliás, em Lisboa que ocorreu o último acto público de Jesús Polanco, numa reunião de direcção do grupo, realizada em meados de Junho.
A internacionalização da empresa também se faz sentir na América Latina, onde possui várias rádios e está a negociar a aquisição do jornal colombiano El Tempo, e em França, com participação no diário Le Monde.
Ana Gaspar
Com agências
