No dia em que se completou um ano do desaparecimento de Madeleine McCann, na Praia da Luz (Lagos), o director da Polícia Judiciária (PJ) disse ser "muito importante" a presença de Kate e Gerry em Portugal no caso da polícia decidir realizar diligências que envolvam o casal. Alípio Ribeiro referiu que "caso fossem decididas diligências que justificassem a presença dos pais em Portugal seria muito importante que eles aceitassem essa participação dentro das normas legais portuguesas".
Para o responsável da PJ, a presença dos McCann seria um factor muito importante na eventual decisão de se fazer a reconstituição do dia do desaparecimento, uma hipótese que "não está descartada pela polícia". As suas declarações foram prestadas horas antes do procurador Geral da República garantir que a Polícia portuguesa "fez o que qualquer Polícia faria" no caso do desaparecimento de Madeleine McCann, sustentando que se as investigações "resultarem em insucesso, não é nada que envergonhe a Policia", tendo em conta a dificuldade em resolver casos de crianças desaparecidas.
"Este tipo de crimes são extremamente difíceis de investigar. Há um milhão de crianças desaparecidas por ano no mundo e nem 20% são descobertas", realçou Pinto Monteiro aos jornalistas, em Castelo Branco. "Pode ser que ainda se descubra, vamos esperar até ao fim", adiantou.
Sobre a possibilidade de prorrogar o segredo de justiça sobre o processo Maddie, que deverá terminar em Agosto, o procurador diz, apenas, que então "analisa-se o estado do processo e vê-se se é necessário ou não pedir prorrogação".
Pinto Monteiro admite que "já se falou demais de Maddie" e lembra que em "Inglaterra, de onde ela é natural, existem mil processos destes", enquanto Portugal tem apenas 14 ou 15,"e a percentagem de casos em que são descobertos, em países como Inglaterra, é de 20%".
"Por isso, ninguém se pode admirar do até agora insucesso no caso Maddie", acrescentou o procurador. "O problema é que é o processo mais mediatizado dos últimos anos. Abriu noticiários de canais como a CNN e daí ganhou uma importância tremenda. Infelizmente, é mais um caso de uma pobre criança que desapareceu", sublinhou.
Questionado pelos jornalistas sobre se o processo tem sido politizado, Pinto Monteiro recusou este cenário "Que eu saiba, não". Porém, citado pela Lusa, classifica-o como um processo "mediatizado ao exagero, até ao limite", que concentrou maior investimento nas investigações que outros.
"A mediatização tornou mais pormenorizadas as investigações, mas fez-se o que se faria em condições normais".concluiu.
