A literatura como uma doença. Não em sentido figurado, mas literal, por vezes angustiante, e, sobretudo, incurável. É em torno deste conceito que gira "Mal de Montano" (Ed. Teorema, 316 pp., 19.95 euro), novo romance do escritor catalão Enrique Vila-Matas, que, anteontem ao fim da tarde, foi lançado na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa.
Numa sessão pouco concorrida , que contou com as presenças do autor e de Clara Ferreira Alves, directora da Casa Fernando Pessoa, a Teorema delegou a responsabilidade da apresentação do livro no escritor português Henrique Garcia Pereira, que fez o elogio crítico de uma obra com a qual garantiu muito se identificar.
"Ao ler este livro recordei-me de uma época em que procurava incesantemente livros quando poucos havia", disse Garcia Pereira. "Procurava obras proibidas e tornei-me ´dealer` literário só para matar o vício. Vila-Matas transmite bem essa sensação em ´Mal de Montano`. A sensação de que um escritor precisa de ler para escrever, e só o consegue fazer com um livro ao lado"
Admirador incondicional de Antonio Tabucchi, Vila-Matas considerou a Casa Fernando Pessoa como o sítio ideal para lançar o seu romance dadas as afinidades do escritor italiano com os escritos do poeta português."Tabucchi dizia caminhar na sombra de Pessoa", afirmou. "Como caminho na sombra de Tabucchi, sou a sombra na sombra da sombra de Pessoa".
Hiper-tímido confesso, Vila-Matas optou por não falar directamente de "Mal de Montano", preferindo contar um par de histórias que deliciaram os poucos presentes.
