Algarve: Época balnear com nadadores-salvadores a cada 100 metros, empresários dizem que lei não vai ser cumprida
Faro, 07 Abr (Lusa) - O Algarve vai ter, na época balnear deste ano, cerca de 300 nadadores-salvadores espalhados a cada 100 metros de espaço concessionado nas praias, mas empresários hoteleiros argumentam que não há nadadores suficientes para cumprir a lei.
O Algarve vai ter 300 nadadores-salvadores espalhados pelas 48 praias concessionadas que, auxiliados por embarcações, motas de água e bombeiros, vão tentar garantir as condições de segurança necessárias, assegura fonte da Polícia Marítima.
Para o comandante da Zona Marítima do Sul, Reis Ágoas, não há razão para preocupação dos veraneantes, porque a lei exige que em cada 100 metros de concessão (estabelecimento comercial) tem de haver dois nadadores-salvadores a vigiar o litoral.
Em declarações à Lusa, Reis Ágoas explicou que, à semelhança de 2007, este ano vão estar a vigiar nadadores-salvadores em cada 100 metros de concessão, estando o maior número na zona de Portimão: 132 nadadores-salvadores.
Ou seja, se uma concessão tiver 60 metros é obrigado a ter um posto salva-vidas e dois nadadores-salvadores, mas se a concessão alargar-se, por exemplo para 120 metros nesse caso terão de existir dois postos salva-vidas e quatro nadadores.
Nas 34 praias de Faro vão estar 68 nadadores-salvadores e nas 33 praias de Lagos estão destacados 33 nadadores.
Em Vila Real de Santo António, com sete praias, vai haver 42 nadadores, em Tavira, nas suas quatro praias prevê-se 30 nadadores e em Olhão com oito areais vigiados estima-se que estejam 26 nadadores.
"Estamos tão bem como os melhores e tirando os casos dos cidadãos que se colocam em risco nas falésias e das praias não vigiadas, o nível de mortos nas praias do Algarve é quase inexistente e tem vindo a decrescer", assegurou Reis Ágoas.
Questionado pela Lusa sobre algumas críticas de concessionários sobre essa lei que exige dois elementos a vigiar os areais, Reis Ágoas sustenta que aos concessionários o que interessa é ter o menor custo possível.
"À Autoridade Marítima interessa o maior número de nadadores-salvadores por forma a garantir uma mais perfeita segurança aos banhistas na praia. Aos concessionários interessa ter o menor custo", desabafa.
A Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), estrutura que representa mais de 60 por cento dos concessionários no Algarve, não concorda com a norma, classifica-a de absurda e frisa que não "há nadadores-salvadores suficientes para as necessidades exigidas pelo Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) e Autoridade Marítima".
"É um absurdo focar a atenção apenas nas zonas concessionadas", refere Elidérico Viegas, mencionando que o legislador não tem nenhuma prova científica sobre a que distância devem estar os nadadores-salvadores.
"Porque não de 50 em 50 metros. E nas praias não vigiadas as pessoas podem morrer à vontade?", questiona o presidente da AHETA, defendendo que a Autoridade Marítima deve preocupar-se mais com as zonas não vigiadas, onde se registam mais acidentes.
A norma do ISN refere que "por cada 100 metros de espaço concessionado ou fracção, como contrapartida o concessionário obriga-se a pôr a funcionar um posto de praia e dois nadadores-salvadores".
Segundo Elidérico Viegas, o número aumenta para três nadadores porque quando um está de folga tem de ser substituído.
Sem colocar em causa a segurança nas praias, o empresário Elidérico Viegas lembra ainda que se devem "criar condições para evitar que as pessoas morram nas falésias", recordando que tais acidentes denigrem a imagem do Algarve junto dos turistas.
Para dar apoio às praias não vigiadas, que no Algarve são 18, há quatro carrinhas para percorrer os areais e há em cada capitania equipamentos como moto 4, equipadas com material de salvamento.
O Algarve conta ainda com estações salva-vidas, ou seja edifícios onde estão localizadas as embarcações salva-vidas, espalhadas por Vila Real Santo António, Fuzeta, Tavira, Olhão, Ferragudo 8Portimão) e Sagres.
Com dispositivo actual do Algarve e os comandos locais da Polícia Marítima, entre os quais Sagres, Albufeira, Quarteira e Fuzeta, o comandante da Zona Marítima do Sul defende que se tem "garantido boas condições de salvamento".
Em Portugal há 250 quilómetros de praias concessionadas e há cerca de 230 quilómetros de praias não vigiadas, existindo ainda 130 quilómetros de praias fluviais.
CCM.
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