Alter do Chão: Leilão na Coudelaria atrai apaixonados pelo cavalo Lusitano (C/FOTOS)
Alter do Chão, Portalegre, 24 Abr (Lusa) - Com 33 exemplares à espera de serem arrematados, não faltaram licitadores no leilão equino realizado hoje na Coudelaria de Alter do Chão (Portalegre), incluindo um comprador inesperado, Pedro Choy, que "conquistou" a égua Zapata.
"8.300, uma! 8.300, duas! 8.300, três! Vendido!", sentenciou o leiloeiro, ao vender a Zapata, uma puro-sangue Lusitano, da linha genética Alter Real, ao conhecido especialista em medicina tradicional chinesa Pedro Choy.
Pedro Choy confidenciou à agência Lusa dedicar-se meramente "por hobby" à criação equina: "Ninguém com juízo sobrevive a criar cavalos".
Uma paixão pela criação de cavalos que já dura "há oito anos", apesar de "fazer equitação desde os 12", assegurou, afiançando que, por esse motivo, é presença regular em eventos desta natureza.
O leilão equino realizado hoje à tarde, o mais antigo do país dedicado aos cavalos puro-sangue Lusitano, foi um dos pontos altos da Semana da Coudelaria de Alter do Chão, da Fundação Alter Real, que termina sábado.
A estes leilões da Coudelaria de Alter do Chão, Pedro Choy vem há já ""seis ou sete anos", sempre com o intuito de "levar alguma coisa", sobretudo "pelo património genético admirável da Fundação Alter Real".
Esta tarde, o especialista em medicina tradicional chinesa já sabia ao que ia e comprou "exactamente o animal que queria".
Numa licitação renhida, acabou por levar a melhor e arrematou a égua Zapata por 8.300 euros.
Pedro Choy foi apenas um entre os cerca de dois mil espectadores do leilão.
Uns mais interessados do que outros, alguns com olhar mais profissional, outros mais curiosos. Várias foram as sensibilidades que se cruzaram no leilão equino.
Rui Barroso, de 46 anos, explicou à Lusa estar "pelo segundo ano" em Alter do Chão: "E, se aparecer alguma coisa, nunca se sabe...".
Tal como muitos outros espectadores e interessados que a Lusa ouviu durante o evento e que afirmaram não enjeitar uma oportunidade de negócio, caso ela aparecesse.
Como meras curiosas, assumiram-se três cidadãs holandesas que, de férias em Portugal e com uma boa-disposição a condizer com o muito calor que se fez sentir na tarde alentejana, explicaram estar no leilão "só para ver".
Menos efusivo, António Gil, criador espanhol de 61 anos, com 40 dedicados à criação equina, estava dividido quanto às intenções que o levaram ao leilão.
"Não tenho por prioridade comprar, mas se aparecer um bom negócio...", disse.
As reticências deste criador, que vive em La Codosera, vila espanhola fronteiriça, prendem-se com o facto de "ter chegado em cima da hora" e não ter tido muito tempo para "ver o gado enquanto estava em exposição".
Uma avaliação partilhada à Lusa no intervalo de uma demonstração equestre com exemplares Sorraia e Garrano, que iam entretendo a plateia com manobras técnicas e exercícios variados.
Colocando o enfoque na qualidade dos cavalos e éguas, Idalina Trindade, directora da Coudelaria, fez questão de realçar também à Lusa que, "cada um dos exemplares" a leilão é um "puro-sangue de raça Lusitana, mas da linha Alter Real".
A FAR, que gere actualmente a Coudelaria de Alter do Chão, foi criada a 01 de Março do ano passado, após a extinção do Serviço Nacional Coudélico (SNC), no âmbito do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE).
A FAR tem como objectivo promover a preservação do património genético animal de raça Lusitana, quer na linha genética da Coudelaria Nacional, quer na linha Alter Real, assim como das raças Sorraia e Garrano.
A Coudelaria de Alter do Chão, fundada em 1748 por D. João V, desenvolve, actualmente, trabalhos de selecção e melhoramento de cavalos Lusitanos e trabalhos na área de investigação, possuindo, entre outras valências, uma unidade clínica dotada de todos os meios para o acompanhamento e tratamento médico.
TYA.
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