Luanda, 06 Mai (Lusa) - O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido maioritário no poder, vai aprovar o manifesto eleitoral e o Programa do Governo 2008/2012 na sua III Conferência Nacional que decorre de quinta a sábado em Luanda.
A Conferência Nacional do MPLA é um dos momentos mais importantes no processo de preparação do partido que está no poder em Angola desde a independência em 1975 para as segundas eleições legislativas do país marcadas para 05 e 06 de Setembro próximos.
Em declarações à Agência Lusa, o secretário para a Informação do MPLA, Norberto dos Santos "Kwata-Kanawa", afirmou que os dois documentos, manifesto eleitoral e programa do governo, vão ser debatidos por 1500 delegados oriundos das 18 províncias de Angola.
"Durante o evento que terá a participação de 1500 delegados oriundos das 18 províncias do país serão apresentadas as contribuições de várias sensibilidades do partido, desde o topo à base, com a finalidade de encontrar consensos sobre aquilo que será o futuro da Nação angolana nos próximos tempos", salientou "Kwata-Kanawa".
Segundo o porta-voz do MPLA, o processo de preparação da Conferência Nacional deste partido começou em Março com a realização das assembleias comunais, seguindo-se as municipais e depois as provinciais, sendo esta conferência o "ponto mais alto" das actividades que visam lançar o partido para a campanha eleitoral.
"Inicialmente prevíamos uma participação mais reduzida, de apenas 1200 delegados, mas a direcção do partido recebeu vários pedidos de profissionais que, mesmo sem pertencerem ao partido, poderiam dar alguma contribuição, naquilo que será o futuro programa de governação e por isso alargámos a participação a essa franja da sociedade para 1500 delegados", explicou.
Durante os debates, os participantes estarão repartidos por duas comissões de trabalho, nomeadamente sobre o MPLA e as eleições legislativas de 2008 e o Programa de Governo 2008/2012.
Questionado se o MPLA partirá para a corrida eleitoral coligado a outras formações políticas, Norberto dos Santos disse que a direcção do partido ainda não se debruçou sobre o assunto, embora haja "manifestações" de alguns partidos políticos que pretendem coligar-se ao MPLA.
"Não tomamos ainda nenhuma decisão sobre isso e nem estamos a pensar nessa direcção", frisou.
Chamado a comentar as declarações do líder da UNITA, Isaías Samakuva, segunda-feira, na abertura dos trabalhos da IV reunião do Comité Permanente do partido, em que defendeu que vencerá as legislativas de 2008 por maioria absoluta para pôr fim a situação de partido/Estado, Kwata-Kanaua minimizou este pronunciamento: "Não existe nenhum partido que parta para as eleições para perder."
"Desejo boa sorte à UNITA. Nós - MPLA - também estamos a dizer que vamos ganhar as eleições", disse.
Quanto às acusações da UNITA e de um grupo de pequenos partidos da oposição sobre a alegada pretensão do partido no poder de alterar a lei eleitoral para retardar as eleições ou a divulgação dos resultados, o secretário para a informação do MPLA afirmou que "se há alguém que quer que as eleições em Angola se realizem é o MPLA".
"Não faria algum sentido fazer todas estas movimentações políticas se não pretendíamos realizar as eleições. Isso não corresponde à verdade", acrescentou.
HSO.
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