Luanda, 02 Mai (Lusa) - O navio chinês An Yue Jiang, que transporta material militar destinado ao Zimbabué, ainda está ao largo do porto de Luanda para descarregar, disse hoje à Agência Lusa fonte portuária.
A mesma fonte adiantou, no entanto, que na lista oficial de embarcações à espera de entrar no porto de Luanda, "pelo menos até dia 19 de Maio", não consta o nome do navio chinês An Yue Jiang.
"É do conhecimento da direcção do porto que a embarcação está a aguardar ao largo", sublinhou a fonte, admitindo ainda que o facto de não constar na lista não significa que deixe de entrar e descarregar em breve porque isso depende da prioridade atribuída à sua carga.
A atenção dada a este navio chinês, que transporta três milhões de munições para as espingardas automáticas AK-47, 1.500 RPG (morteiros com auto-propulsão) e mais de três mil granadas de morteiro para o Zimbabué, começou há mais de duas semanas quando a justiça sul-africana impediu o desembarque do armamento na África do Sul.
O mesmo aconteceu em Moçambique.
Em ambas as situações a crise eleitoral vivida no Zimbabué e o perigo de este material militar ser utilizado como instrumento de repressão foi apontada como a causa para a recusa.
O navio chinês chegou, entretanto, às proximidades de Luanda, depois de um porta-voz do governo de Pequim ter garantido que o An Yue Jiang tinha sido mandado regressar à China depois das recusas sul-africana e moçambicana.
Até à emissão de um comunicado oficial do Governo de Luanda no final da passada semana, não era do conhecimento público que o navio transportava, também, material destinado a Angola.
No mesmo comunicado, o Executivo de Luanda garantia que o An Yue Jiang não estava autorizado a descarregar o material destinado a Harare.
Entretanto, a Federação Internacional dos Transportes (FIT), em nota enviada na quinta-feira ao fim do dia à Agência Lusa em Luanda, garante que está atenta ao navio chinês e adiantou que este poderá entrar no porto de Luanda em breve.
Garante igualmente a FIT que mantém em curso esforços para agregar os sindicatos ligados ao sector para rejeitarem o descarregamento do armamento destinado ao Zimbabué.
A FIT sublinha ainda que a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Transportes e Comunicações de Angola (FSTTCA) já afirmou que os seus membros vão recusar descarregar a material militar.
Entretanto, o Conselho de Coordenação dos Direitos Humanos (CCDH) apontou o dia de segunda-feira como data "provável" para a entrada do An Yue Jiang no porto de Luanda.
A informação de que o navio chinês ainda está ao largo de Luanda surge depois de o mesmo CCDH ter informado que o An Yue Jiang já tinha, na semana passada, descarregado material destinado a Angola e embarcado na China.
Citando como fonte o Sindicato Independente dos Marítimos de Angola (SIMA), o CCDH admitia também que não havia informação sobre o tipo de material desembarcado.
O advogado David Mendes, presidente do CCDH, disse ainda à Lusa que o Tribunal Marítimo de Luanda aceitou uma providência cautelar do Conselho a exigir que não seja autorizado o descarregamento do material destinado ao Zimbabué.
David Mendes afirmou também que o Tribunal Marítimo de Luanda deu a garantia de que vai ser fiscalizada a operação de descarga para garantir que o armamento destinado a Harare permanecerá a bordo.
"A decisão do Tribunal Marítimo atribuiu a autoridade de fiscalizar esse descarregamento ao Conselho dos Direitos Humanos em Angola, à Polícia Fiscal e à Capitania do Porto de Luanda", explicou o advogado David Mendes.
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