S
Está a seu cargo um dos papéis fortes da novela "Paixões Proibidas", que está em exibição no Brasil e cuja estreia na RTP acontece muito em breve. São José Correia deslocou-se para o Brasil para participar na produção que resulta de uma parceria entre a estação Bandeirantes e a RTP. A base do guião encontra-se em três livros de Camilo Castelo Branco "Amor de Perdição", "Mistérios de Lisboa" e "Livro Negro do Padre Dinis".
orridente e bem humorada, em entrevista ao JN, São José Correia, falou do encanto pelo Rio de Janeiro, da sua personagem em "Paixões Proibidas", da duquesa Elisa, e até dos homens brasileiros. Em breve, o seu trabalho poderá ser visto em Portugal na ficção que marcará o regresso da novela ao horário nobre da estação pública.
JN|Já está a morar há uns meses no Rio de Janeiro. Como está a correr a experiência?
SJC|Costumo dizer que me enganaram, pois, assim que aqui cheguei só chovia na cidade. Estamos um bocadinho no paraíso e um bocadinho no inferno porque não podemos ir à praia, uma vez que, por causa das personagens, não podemos ficar queimados pelo sol.
Qual foi a primeira impressão que teve dos brasileiros?
Os brasileiros são muito calorosos e têm um hábito que adoro que é comer queijo. Até agora não tenho nada a apontar-lhes.
Em "Paixões Proibidas", a sua personagem é uma das figuras centrais. Como ela é?
A Elisa está à frente da sua época. É uma duquesa que vive com o irmão porque perdeu a mãe muito nova. O irmão é na verdade meio irmão, já que são filhos do Padre Dinis (papel de Virgílio Castelo), mas ambas as mães morreram quando eles eram crianças. Apesar de ela ser mais nova do que o irmão, ela é a estrutura da casa. Ou seja, é Elisa que apoia o irmão que é instável.
A personagem é também ousada.
Ela tem um lado menino, muito animal, tem um lado sexual que devora. É uma personalidade forte, que quando quer uma coisa, seja um homem, um vestido, o que for, luta por ela. É muito obstinada mas não é má pessoa. Ela gosta muito do irmão, mas tem um limite. E não vou contar mais porque há também uma característica muito importante nessa personagem, que é o mistério. Elisa é muito misteriosa. Quando lhe chega uma informação, ela não está só a absorvê-la, mas também a pensar como pode colocá-la em prática. É o que se chama de sabedoria quando as pessoas conseguem agarrar uma informação e convertê-la logo em acção.
Até quando vai ficar no Brasil?
Abril de 2007, caso não matem a minha personagem antes disso. Vim com os meus colegas portugueses e estou a adorar os novos colegas de trabalho brasileiros. Estamos muito integrados.
O que conhecia da teledramaturgia brasileira e qual o paralelo que traça com a teledramaturgia portuguesa?
Em termos de televisão, a dramaturgia portuguesa ainda está atrás da brasileira em matéria de temas interessantes do grande público. Sei que a novela é uma estrutura muito particular porque trabalha para as massas. Quem escreve uma novela não pode apenas restringir-se a um tipo de pessoa. É um horário nobre, portanto, há muita gente a assistir. Então, é preciso grandes temas e falar desses temas de maneira inteligente, mas não sofisticada, para que toda a gente possa perceber. Mas, emPortugal, isso não está tão desenvolvido como no Brasil. As novelas em Portugal atingem muita gente, mas a linguagem e os assuntos não são interessantes. Ainda há muitos moralismos e tabus.
Não nota evolução?
Neste momento, temos uma pessoa que está a escrever de uma maneira diferente o Rui Vilhena, que viveu muitos anos no Brasil. Por acaso, entrei na última novela dele, "Ninguém Como Tu". Ele, sim, é extraordinário. Não só porque trata de temas interessantes para toda a gente, como sabe chegar ao público, sem o tratar como estúpido. Muitas vezes, os temas das novelas explicam demasiadas vezes a mesma coisa. E as pessoas não gostam disso. Há quem só tenha informação por meio da televisão, pessoas que não têm formação académica. Mas a ignorância não significa estupidez. E as pessoas em Portugal estão a começar a cansar-se dessa linguagem e maneira de explicar as coisas. O Rui Vilhena está a fazer, finalmente, o contrário, que é expor todo o tipo de problemas de forma completamente natural.
Que avaliação faz do texto de Aimar Laback, responsável pela adaptação dos textos de Camilo Castelo Branco para esta novela?
Ele fez um trabalho extraordinário. Comecei a ler um pouco de "Amor de Perdição", porque é um livro obrigatório nas escolas, e parei logo no início por causa da linguagem. Mas Aimar conseguiu fazer algo extraordinário e de grande sensibilidade. Foi à essência de Camilo Castelo Branco, que quando escrevia atingia directamente o coração das pessoas, mesmo sendo um autor que escrevia a metro para ganhar dinheiro. Ele conseguiu emocionar porque fala dos nossos problemas, das paixões proibidas, das invejas, das ambições.O Aimar reproduziu tudo isso com uma linguagem que não vai chatear, uma linguaguem do século XXI.
Como é morar no Rio de Janeiro?
Estamos num condomínio muito confortável na Barra da Tijuca, de frente para a praia, embora não possamos frequentá-la. No Rio, realizei um sonho de infância que foi voar de asa delta.
A São José está solteira. O que acha dos homens brasileiros?
Os brasileiros são muito charmosos e têm uma liberdade sexual extraordinária. Tanto os homens como as mulheres. Coisa que não encontramos em Portugal. E acho isso óptimo porque no Brasil ninguém tem pudor em falar sobre o assunto, as pessoas já atingiram outro nível. Em Portugal ainda não sabem ou não percebem que o que nos apaixona são as pessoas, independentemente do sexo.
