Saímos da vila de Cerveira por volta das 10 horas. Destino as freguesias mais afastadas da sede de concelho. Depois de muitas curvas seguindo por uma estrada de montanha, chegámos a Covas. Na sede da Junta de Freguesia, Maria Teresa aguardava pacientemente por informações precisas para integrar a lista dos adultos que pretendem concluir o 6.º ano. "Até que enfim se lembram de nós. Estamos aqui tão isolados, não há transportes públicos e a vila fica tão longe. É uma ideia excelente vir esta carrinha lá de baixo todos os dias com estas senhoras que nos facilitam tanto a vida", garante.
E assim parece ser. A carrinha é a unidade móvel do ASA- Apoio, Serviços e Animação. Um projecto que já está na estrada há alguns meses e que pretende deslocar vários serviços e valências dos gabinetes às pessoas, nomeadamente, nas áreas de acção social, serviços no campo da saúde e informações específicas, bem como uma animateca para os mais pequenos.
"É com grande satisfação que vejo esta carrinha colorida aparecer por aqui. Poupa-nos tantas dores de cabeça e tanto tempo! Para irmos até à vila tratarmos destes assuntos, temos que nos levantar muito cedo, gastar dinheiro em táxi e perder o dia todo. Isto foi um golpe de sorte para nós", garante Maria Emília Abreu, de 49 anos. "E para as crianças também é muito bom, porque a carrinha possibilita-lhes o acesso a livros e a várias actividades que só poderiam encontrar na vila", adianta.
Também Maria de Lurdes Martins, de 56 anos, parou para ver a movimentação à volta da carrinha do ASA. "Ainda não recorri aos serviços das técnicas porque não precisei, mas é muito bom saber que elas vêm cá praticamente todos dias. É uma ajuda muito útil". Ali ao lado sorridente e confiante no futuro, Maria Aurora Rodrigues de 58 anos anunciou"Vou voltar à escola, ao fim de tanto tempo, vou poder concluir o 6.º ano. Estou muito feliz". Ficámos a saber que vai integrar a lista de formandos que, em breve, vão iniciar uma formação para adultos que vai decorrer na sede da Junta daquela freguesia.
Serafim Rodrigues é agricultor e também ainda não precisou dos serviços prestados por aquele projecto, mas garante que tem ouvido falar "muito nestas técnicas" e que acha "muito bem, porque estamos um bocado isolados, sempre é uma ajuda que nos dão".
O Projecto ASA- Apoio, Serviços e Animação pretende que, até ao final de 2009, 80% das crianças e jovens em situação de risco tenham as mesmas oportunidades de desenvolvimento e crescimento, integradas na família, na escola e na comunidade.
O projecto assenta em três áreas Serviço de Atendimento Local, Animateca e a Casa dos Cangurus (Centro de Apoio à Criança e à Família), que vai abrir em breve e que pretende ser um espaço de acolhimento que proporcionará apoio sistemático à criança e jovem e à sua família.
Financiado por um projecto ao abrigo da Segurança Social, o ASA, que pode alcançar um investimento total de 600 mil euros, percorre as 15 freguesias do concelho de Cerveira. À tarde, a carrinha colorida vai ao adro das escolas com livros e animação pelas mãos de uma animadora sociocultural.
"Estou em contacto permanente com a população, uma vez que sou a responsável pelo Serviço de Atendimento Local, que presta apoios e serviços no campo da saúde, informações específicas e acção social. Todas as manhãs saio acompanhada de uma técnica diferente, como a técnica da UNIVA que dá apoio, por exemplo, a quem procura emprego, ou a técnica de acção social, que faz o diagnóstico de várias situações de carência", explica Cristina Martins, técnica superior de educação, responsável pelo SAL. "Faço isto todos os dias, desde Julho", comenta, explicando que, inicialmente, "havia um bocado de desconhecimento em relação aos serviços", mas agora "há cada vez mais pessoas à nossa espera". "Damos apoio em várias valências, nomeadamente apoio domiciliário. Quando há uma situação de necessidade, vem um enfermeiro prestar cuidados de saúde básicos ao domicílio", exemplificou. "Penso que o sucesso do projecto passa pelo facto de trazermos os técnicos às freguesias em vez de os esperarmos num gabinete fechado", concluiu. Cidália Parente, técnica da Coopetape, uma cooperativa de ensino, integrou o projecto em Novembro. "Tenho efectuado verdadeiras sessões de esclarecimento", diz. "O que se pretende com os centros de reconhecimento, validação e certificação de competências é, como o nome indica, reconhecer e validar competências que se adquiriram ao longo da vida. Pretende-se certificar o que se aprendeu fora da escola, no mundo laboral, dando equivalência aos 4.º, 6.º, 9.º ou 12.º anos".
