"É um desassossego!". Desde que o bar dançante 'Fábrica da Palha' abriu as portas, na zona da estação, Marinha Grande, há cerca de dois meses, Asélia Ramos não voltou a ter uma noite descansada. Esta moradora queixa-se do excesso de ruído provocado, sobretudo, pela falta de civismo dos utilizadores daquele espaço nocturno. "Conversam alto na rua, batem com as portas, aceleram a fundo nas motorizadas, enfim, não se pode dormir", lamenta.
Para além disso, "estacionam os carros em frente de garagens, sem qualquer cuidado. A Polícia já teve de ser chamada a intervir por várias vezes". Quanto ao ruído provocado pela música do próprio bar, Asélia assegura que o proprietário "até tem cuidado e praticamente não se ouve nada". O problema, diz, "é que o bar está aberto desde as 17 horas até às cinco da manhã. E há pessoas até essa hora". A residente diz não entender "como é que autorizam, numa zona residencial, um bar até tão tarde".
A maioria dos moradores dos prédios mais próximos subscreveu já dois abaixo-assinados, que entregaram, entretanto, na Câmara Municipal e Governo Civil de Leiria. Refere um dos documentos, a que o JN teve acesso, que "o barulho é público e de tal ordem que não nos deixam dormir, pois alguns condóminos trabalham por turnos, há crianças menores e idosos com problemas graves". E apela a que sejam tomadas, o mais rápido possível, "as medidas necessárias" à resolução do problema.
Contactado, o proprietário do bar recusou prestar declarações sobre o assunto. Esclareceu, apenas, que o estabelecimento, com espaço dançante, tem licença para estar aberto, durante a semana, até às 2 horas e, aos fins-de-semana, até às 4 horas, horário que, garante, é cumprido.
Cabe às câmaras emitir o licenciamento dos estabelecimentos comerciais de restauração e bebidas, onde se integra o bar em causa. O governo civil faz vistorias aos locais, dando um parecer vinculativo. Quando está em causa a segurança e ordem públicas, têm poder para encerrar os estabelecimentos.
Ficha
Queixas
Conversas em alto volume na rua, barulho de portas, de carros e de motas são algumas das queixas.
Lei
Dono do bar-dançante diz que tem licença para funcionar até às 4 horas ao fim-de-semana.
