Brasil: Deputado da UNITA lança livro em Brasília e defende desarmamento da população civil de Angola
Brasília, 15 Mar (Lusa) - O líder parlamentar da UNITA Alcides Sakala disse à Lusa, em Brasília, que é preciso haver empenho do governo, da sociedade angolana e da comunidade internacional para desarmar a população civil de Angola.
"A UNITA é hoje a força política mais interessada no desarmamento da população civil do país, que está previsto no Protocolo de Lusaka", afirmou Sakala, que veio a Brasília lançar o seu livro "Memórias de um guerrilheiro".
O Protocolo de Lusaka foi assinado em Novembro de 1994 pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e pela União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), com o auxílio da "Troika" de Observadores, formada por Portugal, Rússia e Estados Unidos.
Sakala disse ser importante que as eleições legislativas de Angola, em Setembro próximo, decorram em clima de tranquilidade e defendeu que os parlamentares angolanos contribuam nesse processo como fiscalizadores do desarmamento.
O parlamentar e ex-guerrilheiro garantiu também que "a UNITA está completamente desarmada" e que desmobilizou 105 mil homens.
A Polícia Nacional na província do Cuando-Cubango revelou recentemente a descoberta de 11 paióis de armas na província de Cuando-Cubango, em áreas que durante o conflito armado estiveram sob controlo da UNITA.
Alcides Sakala referiu que cabe ao Governo localizar esses armamentos dos tempos de guerra. "Aquela foi uma zona de combate e deviam existir armas escondidas, mas são obsoletas. De toda forma, é tarefa do Governo procurar essas armas", assinalou.
A UNITA, que hoje celebra o seu 42º aniversário, reagiu oficialmente em Luanda negando ter conhecimento de paióis sob seu controlo no país.
Sakala disse ainda estar mais preocupado com as milhares de armas que foram distribuídas pelos comités de acção do MPLA à população civil angolana durante a guerra.
"Há muita violência em Angola e registos de muitos assassinatos. A população precisa ser desarmada. Só a polícia e as Forças Armadas devem ter armas. As armas em África são sempre um factor de instabilidade", reforçou.
Sakala considerou "infeliz" a recente declaração do ministro angolano da Defesa, Kundy Paihama, a uma rádio em que levantou a suspeita de que a UNITA estaria a manter armas escondidas.
"Foi um discurso muito propangadista e nós pedimos, na altura, que ele se demitisse. Estamos numa fase em que é preciso um discurso de contenção, que crie confiança nos aliados e também nos investidores estrangeiros", salientou.
Em relação ao lançamento de seu livro em Brasília, o deputado da UNITA disse esperar que "Memórias de um guerrilheiro" possa fazer com que os brasileiros conheçam mais a realidade de Angola.
"O livro é um trabalho factual, que trata dos aspectos correntes da guerra entre 1999 a 2002, e aborda as dimensões filosófica, psicológica e sociológica do conflito. Considero o trabalho como uma contribuição à recepção de ideias quando amanhã se for escrever a história real de Angola", afirmou.
CMC.
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