Estava tenso ontem o ambiente no Projac, o gigantesco centro de produção de novelas de Globo com um um milhão e 65 mil metros quadrados onde trabalham 3.700 pessoas. Desses milhares de pessoas, cerca de 100 passaram o dia ainda mais nervosos é que todo o elenco de "Páginas da vida" (em exibição na SIC) esteve todo o dia a gravar até à última hora dois finais para a novela escrita por Manoel Carlos e realizada por Jayme Monjardim, sem saber qual deles seria escolhido para passar na televisão nessa mesma noite.
Ou seja, os próprios actores viveram todo o dia de ontem o mesmo suspense que milhões de brasileiros, que ficaram a conhecer o desfecho às 20h do Rio de Janeiro, meia-noite de Lisboa.
Em todo o Projac (abreviatura de Projecto Jacarepaguá, o local do Rio de Janeiro onde funciona a "fábrica de sonhos"), muitas pessoas falavam do mesmo como iria terminar a novela que falou directamente ao coração dos brasileiros, abordando temas como a anorexia, o abandono familiar, a deficiência e ainda picando o ponto na violência urbana, o maior problema do momento nas cidades brasileiras.
Manoel Carlos esperava pelo fim do noticiário para terminar cada capítulo e incluir os assuntos mais marcantes do dia na novela. Foi por isso que um capítulo reproduziu o incêndio num autocarro e noutro as freiras do hospital onde trabalha "Helena" comentaram um caso que revoltou o Rio de Janeiro a morte trágica de João Hélio, o menino arrastado num carro sequestrado por assaltantes.
"Estou ansiosa por ir para casa para ver o final!", comentou a actriz Betty Faria com os jornalistas portugueses que foram ao Rio de Janeiro acompanhar o final da "Páginas da vida". Entre duas cenas de "Pé na jaca", a actriz confessou-se fã da novela e declarou-se muito ansiosa por conhecer o final. "Acho que a menina deve ficar com a mãe, a "Helena". Mas o "Francisco" deve ficar com o avô e com o pai. O avô não tem uma estrutura familiar forte. Acho que deve ficar com os dois". Num dos finais, cujas cenas foram gravadas no Jardim Botânico e na praia, "Francisco" (Gabriel Kaufmann) fica com o pai, "Léo" (Thiago Rodrigues), no outro com o avô "Alex" (Marcos Caruso).
A gravação de finais alternativos já aconteceu com a novela "Belíssima", de Sílvio de Abreu, que teve quatro finais gravados. Só daqui a cerca de dois meses e meio é que os portugueses vão fazer-se a pergunta de quem fica com "Francisco Toledo Flores".
